Muito frequentemente, a melhor ferramenta de autopromoção literária é a crítica. E muito frequentemente, tal crítica acaba descaindo em maledicência simples. Os exemplos são infinitos. O autor, às vezes futuro autor, começa a carreira contrapondo-se ao modelo que desgosta. Censura, reprova, enumera defeitos, desabona. O alvo, geralmente morto, não o responde. E fica por isso mesmo. Se, por um lado, o crítico acaba amadurecendo as próprias ideias com a crítica; por outro, não evita que dela brote um sentimento ruim. Tempo depois, há de pensar: aquilo era mesmo necessário? E ocorre que, em literatura, os estilos, os temas, as possibilidades são tão variados que é muito fácil não gostar de algo, quando confrontado com aquela outra intensíssima identificação. Justifica, pois, que um escritor se dedique a atacar outro escritor? Sem dúvida, mas apenas quando a mera preferência é suplantada pelo sentimento de traição à vocação.