É engraçado notar como são raras na prática, e frequentíssimas no pensamento, as histórias de redenção. Isto é, o espírito inclinado ao sonho tende a imaginar semelhante arco para a sua vida, sem refletir se ele seria desejável ou, antes, se ele tem efeito prático benéfico. Porque o sonho, se não se realiza, ainda assim influi. Toda uma vida à espera deste grande momento! E, simultaneamente, toda uma vida perdida em sonhar… Há melhores enredos; mais modestos. Mas tal ambiguidade evidencia a complexidade da psicologia humana. A visualização é necessária, direciona o ato criador. Mas é preciso radicá-lo e radicar-se enquanto se vive, não se permitindo perder-se no ar. Resta, então, a realidade diária, sempre menos grandiosa do que se gostaria, mas na qual se pode escrever um enredo real.