É frequente nos depararmos com autores que, depois de avançarem nos estudos e na carreira literária, renegam seus antigos mestres. E se é assim com mestres, ainda mais frequente é renegarem autores previamente admirados, que contribuíram para a sua formação intelectual. Por um lado, a evolução intelectual implica mudanças sensíveis no pensamento, e há vezes em que a mudança se dá no próprio mestre, que se torna diferente daquele que foi. Contudo, é tarefa dificílima esta de renegar, sem com ela varrer junto o sentimento de gratidão. Pode parecer ao filósofo, após alcançar altitudes imponentes, uma vergonha ter-se beneficiado, quando jovem, de um jornalista, de um economista, de alguma figura do dito baixo clero intelectual. Grande bobagem! É muito mais honroso, lá do alto, recordar-se do caminho único que o permitiu ascender.