É injustificável a razão apontar o exemplo, saber positivamente invejá-lo, reconhecer o desejo de reproduzi-lo, e, ainda assim, nada fazer para alcançá-lo, desistindo antes de tentar. Ora, se há algo certo é que o mérito frequentemente é imperceptível para aquele que o possui; isto é, o sujeito o cultiva, o aprimora, perseverando enquanto crê sinceramente não estar fazendo nada de mais. Mas o principal é o seguinte: este mesmo sujeito sabe não possuir o mérito supremo, conhece exemplos melhores que o seu. Assim, pode ser humilde e avançar com tranquilidade e despretensão. Se quisesse tudo logo de cara, acabaria de mãos vazias; mas, com a disposição adequada, acaba criando algo de valor. E assim o exemplo é duplamente útil: para servir de modelo, e para demonstrar que é sobretudo estúpida essa coisa de querer ser sempre o melhor.