Filosofia científica: a piada que não se conta numa mesa de jantar

Filosofia científica

Sou apresentado a um filósofo “genial” cuja obra integra perfeitamente a filosofia e a ciência. “Um positivista?” Negativo. E, segundo o gênio, correntes como o existencialismo tratam-se de pseudofilosofia. É-me o sorriso automático. Estou, em verdade, em ótimos dias: graças a Pessoa, dediquei várias centenas de páginas à astrologia. Creio, porém, que o filósofo genial me não tomará o tempo da leitura de um sumário. A mim é gritante: a filosofia só se harmoniza com a ciência quando deixa de tratar dos grandes problemas do homem — justamente aqueles que extrapolam o escopo da ciência. Integrar filosofia e ciência é, de forma prática, mutilar a filosofia e ignorar a aplicabilidade real da ciência. Mas admito: não há surpresa. Conquanto “filosofia científica” seja uma piada grosseira, daquelas que não se conta numa mesa de jantar, é natural que a presunção humana queira colar, em todos os substantivos disponíveis, o qualitativo supremo: assim se garante a vitória sobre o passado — velhíssimo passado…