Não há erudição ou estudo capazes de anular as manifestações do temperamento, ainda que estas se provem evidentemente irracionais. Nisto não há nenhum problema; pelo contrário: seria indesejável anulá-las, visto que o temperamento é parte importante da personalidade. O problema começa quando o sujeito se engana, e tenta convencer outras cabeças de que conseguiu, pelo estudo, submeter os nervos, e como resultado aquilo que diz não sai senão calcado na luminosíssima razão. Ora, há piadas melhores! Mas é preciso chegar à maturidade da inteligência para apreciar devidamente a personalidade, e com ela deliciar-se como Goethe o fez.
