Não há salvação para o leitor que, no primeiro contato com Dostoiévski, não seja tomado da mais alta admiração por este homem que, em circunstâncias desesperadoras, apreendeu e conseguiu expressar muito do que há de mais íntimo na alma humana, com intensidade e originalidade ímpares. Nada se há de esperar do sujeito que, diante desta realização artística única e óbvia, não se afaste para sempre da esterilidade daquela crítica que tem na forma o verdadeiro pendão da alta literatura. O sujeito que se impressiona mais com esta ou aquela técnica narrativa, com este ou aquele recurso discursivo, com tal ou qual organização estrutural do texto, do que com a raríssima perspicácia do verdadeiro gênio, merece tão somente compaixão.