Variar o estilo

Se não necessário, é no mínimo saudável que o escritor varie periodicamente o estilo, o formato, o gênero aos quais conforma as ideias que tem. Assim é por inumeráveis motivos, a começar por quão estimulante é o fazê-lo, e também pela tomada gradual de consciência das possibilidades expressivas que jamais se esgotam. Mais do que isso: neste exercício, descobre-se que há lugares mais adequados para ideias e ideias, e evita-se o ter de misturá-las todas — porque certamente virão variadas na mente criativa — num só formato. O melhor, pois, é variar como Voltaire; e é bom que o escritor o tenha em mente, caso assim não proceda espontaneamente.

O verde

Chega a ser engraçado quão desagradáveis sentimentos o verde é capaz de suscitar. A sorte é que, o mais das vezes, ele não predomina sobre as outras cores no campo de visão. Coloque-se, porém, um coitado num ambiente em que se veja dele rodeado e por ele agredido e, em pouco, ter-se-á o desespero. Tolera-se a exposição ao verde como tolera-se um inseto: desejando que ele suma de nossa frente, para que não tenhamos de agir.

Nada substitui os benefícios do trabalho contínuo

Nada substitui os benefícios do trabalho contínuo, lento e prolongado, que exige o esforço diário e não se completa em apenas uma sessão. As qualidades que se extrai desta prática amaciam as expectativas e solidificam o caráter. Em suma, cultiva-se a disciplina e a paciência, virtudes que, em conjunto, alçam o espírito a um outro patamar.

No homem público, tolera-se…

No homem público, toleram-se muitos defeitos, e muitos deles parecem mesmo irrisórios quando nele se encontra clareza moral. Entre seus pares, é esta tão rara que, quando manifesta, parece ofuscá-los todos e ofuscar-lhe as demais qualidades. Numa arena dominada por falsidade e insídia, é quase um milagre quando se nota haver alguém que não se contaminou.