O behaviorismo teve o azar de ser desenvolvido por mentes pouco filosóficas, as quais se valeram de bons experimentos, mas tiraram más conclusões. Ensinou um bocado, decerto, mas já é como um fóssil para a psicologia atual. É uma pena. Havia campo vastíssimo para comprovar, por vias intermináveis, a seguinte verdade: o homem se inclina ao humano; o boi ao bovino. Sempre.
Categoria: Notas
Se um autor pensar um bocado…
Se um autor pensar um bocado, descobrirá que possui, sempre, algo a ensinar a alguém. E se, em vez de seguir a irresistível tendência de imitar o que outros fizeram, centrar-se em ensinar, na medida de suas possibilidades, mas com sinceridade e pureza de intenção, aquilo que sabe àquele que não o sabe, terá, seguramente, ao menos um bom leitor. Mas acontece que, fazendo isso, descobre que sabe mais do que supunha, aprende mais do que antes sabia e consegue, de uma só vez, evoluir e criar algo de valor.
O problema em se escrever uma “ode ao fútil”
O problema em se escrever uma “ode ao fútil”, como o fizeram alguns poetas, é que, a partir do momento em que o leitor se depara com um poema assim, prosseguir na leitura significa aceitar o papel de interessado nas futilidades do autor. A maioria, decerto, o aceita, e o aceita entusiasticamente, e o tal poema talvez encerre a genialidade de aproximar-se, pelas letras, de um programa de televisão. Mas ocorre o seguinte: ninguém se interessa por programas da década passada, porque todo fútil possui este atributo que o condena ao esquecimento — é, necessariamente, temporal.
A ironia é uma delícia
A ironia é uma delícia. Irresistível, às vezes. E para alguns temperamentos, essencial. Mas é difícil não enxergar para onde tende, ou melhor, é difícil não enxergar os efeitos de sua prática regular prolongada na personalidade do praticante. Para entendê-lo, basta investigar de onde brota sua motivação. Há ironias que, em suma, edificam; outras degeneram. E tal se percebe não pelas reações que suscitam, mas pelo sentimento que o ironista alimenta dentro de si. Sentar-se sempre à mesa, centrar a vida na crítica mordaz é algo que só se deveria fazer com um objetivo construtivo e purificador.