El árbol de la ciencia, de Pío Baroja

Pío Baroja conduz esse romance de maneira admirável. É curioso notar como variam as manifestações de um Andrés, embora seja inevitável que um personagem como este afunde-se progressivamente em decorrência de sua incapacidade de deixar de pensar. O raciocínio, pois, produz um constrangimento que só se agrava com o tempo, enfim cristalizando numa declarada inadaptação ao mundo. Tudo isso é natural… Mas Baroja opera, no antepenúltimo capítulo, uma reviravolta impressionante na trama; um capítulo adiante já não cremos no desfecho que se parece desenhar. Então, habilidosamente, Baroja estraçalha a anormalidade e a história parece se encerrar de maneira mais natural, — e talvez mais convincente, — deixando Andrés, enfim, em paz com seus semelhantes.

Fazer bons versos é difícil

A verdade é que fazer bons versos é difícil: é preciso apuro, paciência, elevação de ideias… ao passo que, para fazer versos chamados bons, basta uma afinidade. Ocorre que ser exótico, em poesia, é por vezes cativante; por vezes diverte e até impressiona a novidade técnica; contudo, após algumas páginas, deixa esta de impressionar e fica evidente as paragens habitadas pela mente criadora. Se não há engenho, se não há grandeza, se não há profundidade, se lhe resumem os versos em brincadeiras e futilidades, tudo isso torna-se impossível de esconder.

A obsessão moderna com a sexualidade

A obsessão moderna com a sexualidade, que a reputa questão de primeira categoria e não consegue, não suporta meia dúzia de palavras que não evidenciem seu caráter primordial no ser humano, só faz validar as velhas, desagradabilíssimas e antipopulares afirmações de numerosos pensadores ao longo dos séculos que notaram distanciar mais o homem superior do homem comum do que este de um cão. Escancara-se, para dizer como Pessoa, uma diferença de qualidade, uma repulsa inevitável, e ao primeiro parecerão sempre desprezíveis e degradantes as preocupações do segundo.

O poeta moderno, adepto das práticas…

O poeta moderno, adepto das práticas em voga de exterminar a pontuação dos versos, alterar grafias, ignorar maiúsculas, desenhar com letras, repetir palavras exaustivamente, etc., etc. tem de concentrar-se muito para não se passar por uma criança ou, em casos mais graves, por um retardado mental. Como pouquíssimas páginas bastam para enjoar de tais artifícios! Depois, ficamos a perguntar: e que mais? Frequentemente, temos de concluir que não passam eles de disfarces para uma incapacidade de se trabalhar palavras de maneira dinâmica e interessante, mostrando domínio e valendo-se criativamente dos recursos que oferecem o idioma. Acabamos por refletir naquilo que tanto repetem os latinistas, e parece mesmo a inteligência estar relacionada à habilidade na articulação da linguagem…