Refletindo superficialmente sobre as reformas ortográficas pelas quais passou a língua portuguesa, a impressão que fica é que a língua tornou-se mais feia, pobre, e por vezes confusa. É sempre uma lástima para qualquer idioma quando “autoridades” sentam-se para regulamentá-lo. É como se o trabalho dos gramáticos, que registram progressivamente as mutações pelas quais a língua é submetida, não tivesse valor algum. Bruscamente, rompe-se o padrão cuja evolução é obra de séculos: risca-se o tempo, e se estabelece um “certo” e um “errado”, com a ingênua esperança de que uma língua viva pode ser domada por convenções… O resultado é algo que soa antinatural. O consolo é saber que, embora abundante em defeitos, o português é forte o suficiente para passar por cima destes delírios e contrassensos…
Categoria: Notas
O futuro é uma hipótese
O futuro é uma hipótese; concretamente, não existe e nunca existirá. Entendê-lo é orientar-se. As possibilidades abrem-se ao homem num lapso fugaz e exigem, continuamente, ação imediata para se concretizarem, até o dia em que se fecham todas e para sempre. Medita, e aponta o pensamento o melhor caminho: em seguida, é agir ou anular-se na inutilidade.
O estado de espírito que favorece as boas manifestações…
O estado de espírito que favorece as boas manifestações não se alcança num arrebatamento súbito, é uma construção longa, diária e frágil, extremamente frágil… Um deslize, e volta-se ao ponto inicial. Após longo esforço, torna-se corriqueiro no cotidiano transformado o que antes parecia impossível. Tropeçando, atirando-se de volta à mesquinha realidade anterior, o que se experimenta é uma aflição que pesa sobre as costas e esmaga o rosto contra o chão…
Talvez tenha sido Mozart o artista mais genuíno e mais genial
Entre todos, talvez tenha sido Mozart o artista mais genuíno e mais genial. É absolutamente impressionante constatar a vastidão e a qualidade de sua obra, e se consideramos suas modestas três décadas e meia de vida… Parece não haver quem se lhe aproxime. Parece inexplicável e impossível uma obra tão vasta, tão bela, tão tocante e tão potente. Um artista de manifestações inesgotáveis e sempre excelsas: cativa o Mozart das sonatas, encanta o Mozart dos concertos, espanta o inigualável Mozart do Réquiem. Como isso? como de um único homem? No caso de Mozart, haver as perguntas mais do que satisfaz…