Querem dizer que há poesia sem ritmo…

Um músico, obrigatoriamente, precisa entender de ritmo para compor uma boa música. Para isso, é necessário que ele saiba, ainda que instintivamente, o que é beat e tempo. Só assim será capaz de diferenciar as inúmeras frequências possíveis e os efeitos que poderá alcançar com cada uma delas na sua composição. Querem dizer que há poesia sem ritmo. Há, sem dúvida, versos de péssima qualidade… E ainda que o poeta queira prescindir do elemento mais importante para diferenciar uma composição poética da prosa ou da língua falada, acredito seja impossível negar quanto o conhecimento do ritmo agregaria ao seu arsenal de efeitos expressivos. Pois bem. Para entender de ritmo, na poesia, é forçoso que o poeta compreenda a métrica e, consequentemente, a contagem de sílabas poéticas. Não há outro meio: o poeta que não entende a contagem de sílabas nunca será capaz de entender o que é quantidade e qual a relação que as sílabas tônicas mantêm com as não acentuadas em intervalos regulares. Assim, nunca saberá o que é ritmo e acabará compondo versos que não agradam ao ouvido. Pergunto: será boa a poesia que o ouvido repele?

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Os elementos melódicos e rítmicos tradicionais da poesia

Os elementos melódicos e rítmicos tradicionais da poesia, quando usados com habilidade, concedem uma beleza aos versos que dificilmente os permitem igualados por pares livres. Em algumas dezenas de anos, será possível compará-los com o distanciamento necessário, e não há dúvida que o encantamento produzido pela dupla ritmo e melodia será, em média, muito superior aos novos efeitos alcançados pela poesia moderna. Será possível, também, julgar com sensatez o esmero da técnica, e então ficará evidente que transplantar a música às letras é arte dificílima cuja essência está diretamente ligada à poesia tradicional.

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Escravos do elogio

Sabendo do caráter corrosivo dos elogios quando direcionados ao artista vivo, não deixo de notar que estes aplicam-se mais frequentemente a uma pose do que a uma obra — quando não em busca da reciprocidade… oh, asco!… — E, exatamente por este motivo, corroem a obra posto tornam-se elementos fundamentais da pose, vista miseravelmente como o elemento de distinção do artista. Em resumo: o artista vê-se dependente dos aplausos, ceifando na obra aquilo que os repele, ou seja, acaba fazendo da obra, também, parte da pose, tornando-se tudo, menos sincero. E como são numerosos! Humilhante? deplorável? Que dizer desta nação de escravos do elogio? Faltam-me palavras…

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A lição de Victor Hugo

Já há três meses dedicando-me a fechar um pequeno volume de poemas, lutando contra a sensação desalentadora de nunca considerar um único soneto finalizado, é com espanto que penso nos mais de 150 mil versos que Victor Hugo finalizou em apenas uma vida. Certa vez, li alguém a dizer que tamanha produtividade comprometeu a qualidade destes versos. Raciocínio demasiado óbvio e que não resiste a um exame apurado. A mim, o escandaloso em Victor Hugo é a disciplina digna do maior nome da literatura francesa. Mérito imenso, e assaz instrutivo…

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