A história brasileira seria talvez a mais interessante do planeta se nascessem mais dois ou três Gilbertos Freyres, que concedessem ao público leitor duzentos ou trezentos anos analisados sob o prisma variadíssimo do gênio original. Não seria preciso cataclismos, proezas heroicas, êxitos milagrosos para torná-la intrigante: bastaria que, pelas vestes, pelos costumes, pelas preferências e convicções, ficassem evidentes a ascensão e a degradação do homem comum. “De que você brincava quando era criança?”, “O que fazia aos finais de semana?”, “O que lia?”, “O que pensava sobre isso ou aquilo?”… Este tipo de pergunta diz tudo, ou quase tudo, sobre o estado de uma civilização.
Categoria: Notas
Há algo estranho na maneira como as ideias…
Há algo estranho na maneira como as ideias se manifestam na mente. Às vezes, é divertido brincar de defrontar o problema da tela branca, do ponteiro a piscar e do texto ainda por escrever. Então, percebe-se o seguinte: a ideia não brota quando a mente se movimenta, quando imagina frases e temas, e reflete sobre aquilo que irá escrever. Se intensifica o pensamento, chega a esgotar-se, mas a ideia não vem. Contudo, se se permite, ou se lhe sucede um lapso, às vezes no ato de acender um cigarro ou de passar um café, que interrompe o pensamento e estabelece um vazio, uma inércia de um segundo, é neste segundo que a ideia brota manifesta, restando ao escritor a tarefa de modelá-la e escrever.
O escritor iniciante se escandalizará…
O escritor iniciante se escandalizará se alguém lhe disser que nem o próprio Cioran concordava com as coisas que dizia, mas que, apesar disso, era um autêntico mestre da arte de escrever. Contudo, assim é. E exatamente por isso é tão difícil encontrar autores que escrevem como ele: porque Cioran levou às últimas consequências a necessidade de formular frases potentes. Para ele, não importa o conteúdo daquilo que está dizendo, mas sim o efeito da frase. E, em matéria de frases potentes, não são muitos os autores que podem se lhe cotejar.
A vida fica muito mais prazerosa
A vida fica muito mais prazerosa e interessante quando se aprende a colecionar, desenvolver e preservar um repositório de bens que o dinheiro não compra. Não é necessário que seja tão grande; basta que bem cultivado, que regularmente cultivado, e tem-se um estimulante novo motivo para acordar.