O antipatriotismo, por mais que literariamente forneça material abundante, por mais que possibilite uma boa sátira, e portanto um bom livro, quase sem que o escritor tenha de se esforçar por tornar a matéria-prima interessante e convincente, por mais que pareça mais lógico que o seu contrário, traça de antemão um limite para a expressão artística — o mesmo limite que o sentimento em que se funda pode atingir. Não se pode transformá-lo em algo positivo, senão atacando as qualidades que o sustentam. Numa obra, isso significaria destruir-lhe a unidade, a essência. Convém tê-lo não mais do que como elemento periférico, dando-lhe um papel sempre secundário e cuidando não insuflá-lo a ponto de cansar — porque é isso o que faz quando toma o lugar de uma manifestação superior em vez de superar-se, algo que definitivamente não consegue fazer.