O cume é vizinho natural do abismo

O cume é vizinho natural do abismo

Há um notável problema proveniente da ascendência e resume-se basicamente nisto: o cume é vizinho natural do abismo. Poderia formular de outras maneiras, dizendo que quando se chega ao topo, o movimento só é possível para baixo, ou que a distância do pico ao precipício é qualquer deslize… Penso, agora, em Julien Sorel, mas os exemplos são inúmeros. Por que, exatamente, o destaque nos torna tão vulneráveis? Inveja? Pelo desejo que, por sua natureza, nos expõe? Não posso deixar de notar o potencial destrutivo da ascensão, as provações que esta normalmente exige e seu prêmio enganoso, senão injusto. Racionalmente, a conclusão se impõe: talvez o mais sábio seja deixar imediatamente de escalar.

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