O desespero nasce do medo, e este, frequentemente, da percepção de uma situação insolúvel, ou pelo menos vista como tal. Menos aflige a situação em si do que a sensação de impotência perante o seu desdobramento, e o desespero brota como resultado da incapacidade de direcioná-lo através de qualquer ação. Vê-se, pois, que, nestes casos, a irresponsabilidade pode ser um lenitivo. E o desespero é sempre mais ou menos a repercussão de um fantasma mental. É por isso que, quando não se teme a morte, quando não se tem apego, nada acaba parecendo tão assustador. E também é por isso que não se desespera nunca aquele que se ampara na fortaleza da fé.