Impressiona a capacidade humana…

Impressiona a capacidade humana de se livrar da impressão fortíssima causada pela morte. Quando experimentada, esta parece decisiva, parece haver a certeza de que sua vivacidade jamais deixará a memória. Mas, então, o tempo passa, e chega o dia em que é como se não tivesse ocorrido, e vive-se tranquilamente ignorando o que outrora pareceu uma lição. Esquecer é uma dádiva; mas apenas parcialmente: lembrar-se, às vezes, é garantir que o passado não tenha sido em vão.

É mesmo uma maravilha ler as observações…

É mesmo uma maravilha ler as observações de Szondi enquanto se tem um conhecimento dos próprios antepassados que se limita a duas gerações! Parece não haver maneira mais efetiva de produzir o retrato da desorientação. Em Szondi, os antepassados parecem sempre à espreita, buscando meios de manifestar suas tendências íntimas na vida de seus descendentes; conhecê-los, pois, é fundamental. E ver que, via de regra, os rebentos da anticivilização nada sabem sobre eles; vivem como se tivessem sido jogados na terra, lá do alto, por uma cegonha; e passam a vida assim…

Às vezes, mesmo um renomado picareta…

Às vezes, mesmo um renomado picareta, mesmo um ideólogo de quinta categoria, mentiroso e mal-intencionado, pode dar à luz páginas muito interessantes quando descreve suas experiências pessoais. A menos que também as falsifique, conseguirá experimentar na escrita exatamente aquilo que experimenta o grande escritor. E convencerá. Há nisto algo de especial: a escrita oferece a todos, sem distinção, idênticas possibilidades — e para bem aproveitá-las, basta tratar com seriedade o ato de escrever.

A matemática financeira tem algo de cruel

A matemática financeira tem algo de cruel. Estudando-a, verifica-se sem muita dificuldade que ela funciona, isto é, que o longo prazo realmente concretiza a teoria da multiplicação. Embora recente, ela já dispõe de dados históricos suficientes para estimar com certa segurança os resultados de diferentes cenários, incluindo aqueles impremeditados. O risco, também, já se quantifica em números um tanto confiáveis. Daí que todos esses cálculos, todas essas estimativas, toda essa maneira suficientemente segura de operar, com resultados mais que satisfatórios, fundamenta-se sempre em percentuais. O cálculo mais mirabolante, o computador mais poderoso não se consegue livrar desta imposição: uma porcentagem é sempre relativa ao principal.