Poucas coisas satisfazem tanto quanto…

Poucas coisas satisfazem tanto quanto adquirir uma nova habilidade, isto é, quanto capacitar-se a fazer algo que antes não se conseguia. A sensação é assaz gratificante, e às vezes prova equivocado o juízo que se fazia das possibilidades. É difícil dimensionar as capacidades humanas: o corpo e a mente costumam suportar mais do que se supõe. Com prática e determinação, prodígios ocorrem; e dificilmente se iguala a satisfação de olhar para trás e ver que, por esforço próprio, foi possível tornar-se capaz.

O destino de todo estudante sério é a solidão

O destino de todo estudante sério é a solidão. Se a ela não tem apreço, ou ao menos resistência, sua empresa não terá vida longa e provavelmente fracassará. Por esse motivo, muitos acabam abandonando o estudo, ainda que acreditem não fazê-lo. Chega um ponto, porém, em que a estagnação é demasiado evidente, e só prospera aquele que possui coragem para caminhar sozinho. Por um tempo, às vezes para sempre, é inevitável não ter com quem conversar. Gostar deste cenário de paz e de silêncio não é para todos; e é bom que seja assim.

Em toda parte, não há elemento mais corruptor…

Em toda parte, não há elemento mais corruptor que essa sede de influência, de reconhecimento, de poder. E a corrupção que consuma, é consumada lenta, por vezes imperceptivelmente, a partir de um desejo até natural, que brota como impulsionado por circunstâncias inevitáveis, açulado por elas de maneira muito traiçoeira, porque a princípio não esbarra em entraves morais. Então, dado o primeiro passo, admitido o anseio novo, vai-se por uma senda quase sempre sem volta, no meio da qual já não se reconhece o caráter prévio, engolido pela moléstia do querer. As relações, novas e velhas, só se dão envenenadas; o interesse predomina e a confiança passa a inexistir. Em verdade, acaba justificado que uma criatura como essa encare o mundo como mau.

Já bem longe do gulag e da Sibéria…

Já bem longe do gulag e da Sibéria, um dos fugitivos do grupo de Slavomir Rawicz, impressionado com a hospitalidade de mongóis e tibetanos, reflete, dizendo que “these people make me feel very humble. They do a lot to wipe out bitter memories of other people who have lost their respect for humanity”. E, realmente, é difícil imaginar como é possível que estrangeiros imundos, aos trapos, com o aspecto medonho de quem atravessou a pé a Sibéria e o Deserto de Gobi, grunhindo fonemas estranhos de uma língua desconhecida, possam ter sido, via de regra, recebidos por camponeses como irmãos. O oriente é mesmo especial… E se também não escaparam da corrupção e da maldade, os orientais nunca deixaram de assinalar de todo as qualidades que os distinguem dos outros animais.