Uma narrativa como esta dificilmente pode ser igualada pela ficção pura. Para fazê-lo, o escritor tem de empregar extrema habilidade dosando a dramaticidade do enredo, de modo que não soe exagerado, mas ao mesmo tempo comova e convença. Muito, muito difícil… porque, às vezes, o drama se concentra no não dito, no não possível ou não tentado, naquilo que não se concretizou. Do outro lado, temos esta narrativa impressionante, na qual o que vem relatado aparece com o peso exato daquilo que aconteceu. Os exageros são metodicamente dispensados, e ainda assim, a cada capítulo, a cada página, a impressão que se tem é de que a narrativa corre sempre em extremos, sendo preciso que o leitor se esforce para imaginar o grau de intensidade daquilo cuja expressão admitiria numerosas exclamações. Que são os artifícios artísticos diante de uma experiência assim?
A psicologia deve explicar…
A psicologia deve explicar por que, entre todos, são os especialistas em lógica os mais frequentemente ilógicos, quando se metem a analisar situações do mundo real. Basta concedê-los uma oportunidade para descobrirmos: a realidade é bem diferente de uma equação! No entanto, é um mistério errarem tanto e continuarem com o crédito inabalado. Há profissões que são mesmo privilegiadas… Um palhaço não dura muito na carreira se afetado por semelhante insensatez.
É uma loucura que se tenha chegado a afirmar…
É uma loucura que se tenha chegado a afirmar, e se tenha chegado a admitir que a filosofia é ocupação para quem gosta de “argumentos abstratos”. Isso demonstra o quão corruptora é a ação das universidades. Se não houvesse mais nada, a etimologia da palavra deveria ser suficiente para refutar o disparate. Mas, em verdade, a nova definição é mesmo mais precisa para retratar a leva moderna de filósofos, muito mais afeiçoados ao argumento que ao conhecer. A prática acadêmica criou esse novo tipo, impugnando dos forasteiros as credenciais para exercer a velha ocupação. Deve ser dureza ter de levá-los a sério em troca de um pagamento mensal…
Difere a vida de grandes homens…
Difere a vida de grandes homens daquela de homens comuns na maior clareza da convergência de fatores para um fio central. Em suma, pode-se pintá-la como a sucessão de acontecimentos que culminaram na grandeza reconhecida, atribuindo-lhes, portanto, importância e sentido. Quanto aos homens comuns, não é que não se possa fazê-lo, mas os acontecimentos parecem um tanto desconexos. O motivo é muito simples: por não se terem distinguido, é mais difícil visualizar no que a vida os transformou.