Planilhas, planilhas…

Planilhas

Causa-me estranhamento o mundo ter existido por tanto tempo sem planilhas de controle. Às vezes me recuso a acreditar, mas, dos anos 80 do século passado — pelo menos — para trás, as pessoas viviam sem planilhas. Meu cérebro trava: como? Impossível! E convenço-me de que, deletando-me as planilhas, o meu lar imediatamente pegaria fogo. Não há tarefa rotineira que não exija uma planilha: desde às compras do supermercado ao acompanhamento de leituras. Controlar o peso, o nível de gordura corporal é importantíssimo. Os filmes assistidos, o fluxo de caixa mensal, a carteira de ativos, as horas em estudo de idiomas, as bebidas alcoólicas especiais consumidas ao longo dos anos, o planejamento de exercícios físicos diários… todas essas são planilhas obrigatórias, essenciais à vida. Há outras, várias outras. E espanta-me o seguinte: como escrever um livro sem uma planilha? Fosse elaborar um guia a detalhar o processo de escrita, o primeiro e obrigatório passo seria: criar uma planilha de acompanhamento, listar o planejamento dos capítulos, definir-lhes a extensão média e, só então, pensar no que escrever. Diria até que, em muitos casos, a planilha é anterior à ideia ou, ainda, a ideia só é possível com a planilha. Mundo estranho…

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