O homem moderno tem gosto pela comodidade

O homem moderno tem gosto pela comodidade, e tudo o que não deseja são experiências que o chacoalhem e o forcem a se mover. E quando lhe analisamos os dias, os anos, vemos quão lamentáveis são os efeitos da mediocridade, da conveniência e do ócio. É curioso notar a frequência de experiências extremas nas grandes almas, cujo caráter parece se consolidar justamente por elas. Sublimes ou duras, afinal marcam menos pela natureza que pela intensidade, representando a essência transformadora que o costume moderno pretende evitar.

Uma coisa bonita de se ver é a serenidade…

Uma coisa bonita de se ver é a serenidade que brota de uma rotina adequada, e por isso mesmo estimulante. Muito frequentemente, a impaciência não é mais que sintoma de um claro desajuste. Corrigido, ela cessa, e leva com ela os outros colaterais que fazem o homem acreditar que vive a desperdiçar a própria vida. Mas não somente isso: surgem, como por mágica, qualidades antes impensáveis, dando-se a manifestação justa da personalidade e resultando na serenidade que concretiza uma real transformação.

O maior problema do ensino…

O maior problema do ensino é que seus resultados são dependentes do aluno, e este só aprende deveras aquilo que quer aprender. É curioso porque, se movido por interesse verdadeiro, o aluno dispensa professor. E então se pode conjeturar quão menos dificultoso lhe seria o caminho do aprendizado, quão útil lhe seria fornecer de antemão atalhos, lhe apontar a solução de obstáculos esperados e lhe oferecer um itinerário que somente o estudo prolongado é capaz de esboçar. Tudo isso é certo, mas o é desde que se considere o aluno ideal. Ao aluno comum nunca se impõe o estudo sério. E o aluno ideal, que só por sorte se apresenta ao professor, talvez também por sorte será compelido ao dificultoso caminho que somente ele poderá percorrer.

O objetivo de uma organização social…

O objetivo de uma organização social de qualquer espécie deveria ser, antes de tudo, o estabelecimento de um ambiente de cooperação mútua, de forma que, conjuntamente, seus integrantes pudessem executar quaisquer funções que porventura exerçam melhor do que as executariam isolados. Afinal, por qual outro motivo ficaria justificada a organização? Mas acontece que, a despeito da obviedade do que está dito, tal ambiente quase nunca se encontra, e é com espanto que o sujeito acostumado às organizações usuais, cujos membros competem, maquinam, invejam e prejudicam, vence a desconfiança ao se deparar com alguém sinceramente desejoso de o ajudar. Quando isso ocorre, é difícil explicar o que se experimenta; mas, em mente, brota a certeza de que é possível viver uma vida melhor.