Em toda parte, não há elemento mais corruptor…

Em toda parte, não há elemento mais corruptor que essa sede de influência, de reconhecimento, de poder. E a corrupção que consuma, é consumada lenta, por vezes imperceptivelmente, a partir de um desejo até natural, que brota como impulsionado por circunstâncias inevitáveis, açulado por elas de maneira muito traiçoeira, porque a princípio não esbarra em entraves morais. Então, dado o primeiro passo, admitido o anseio novo, vai-se por uma senda quase sempre sem volta, no meio da qual já não se reconhece o caráter prévio, engolido pela moléstia do querer. As relações, novas e velhas, só se dão envenenadas; o interesse predomina e a confiança passa a inexistir. Em verdade, acaba justificado que uma criatura como essa encare o mundo como mau.

Já bem longe do gulag e da Sibéria…

Já bem longe do gulag e da Sibéria, um dos fugitivos do grupo de Slavomir Rawicz, impressionado com a hospitalidade de mongóis e tibetanos, reflete, dizendo que “these people make me feel very humble. They do a lot to wipe out bitter memories of other people who have lost their respect for humanity”. E, realmente, é difícil imaginar como é possível que estrangeiros imundos, aos trapos, com o aspecto medonho de quem atravessou a pé a Sibéria e o Deserto de Gobi, grunhindo fonemas estranhos de uma língua desconhecida, possam ter sido, via de regra, recebidos por camponeses como irmãos. O oriente é mesmo especial… E se também não escaparam da corrupção e da maldade, os orientais nunca deixaram de assinalar de todo as qualidades que os distinguem dos outros animais.

A psicologia deve explicar…

A psicologia deve explicar por que, entre todos, são os especialistas em lógica os mais frequentemente ilógicos, quando se metem a analisar situações do mundo real. Basta concedê-los uma oportunidade para descobrirmos: a realidade é bem diferente de uma equação! No entanto, é um mistério errarem tanto e continuarem com o crédito inabalado. Há profissões que são mesmo privilegiadas… Um palhaço não dura muito na carreira se afetado por semelhante insensatez.

Difere a vida de grandes homens…

Difere a vida de grandes homens daquela de homens comuns na maior clareza da convergência de fatores para um fio central. Em suma, pode-se pintá-la como a sucessão de acontecimentos que culminaram na grandeza reconhecida, atribuindo-lhes, portanto, importância e sentido. Quanto aos homens comuns, não é que não se possa fazê-lo, mas os acontecimentos parecem um tanto desconexos. O motivo é muito simples: por não se terem distinguido, é mais difícil visualizar no que a vida os transformou.