Algumas vezes, na juventude, a inconsequência é um excelente prenúncio, por demonstrar que o jovem trata de gastar logo o seu quinhão de estupidez. Se se poderia argumentar que para esta não há limites, também se há de reconhecer que há um dispêndio mínimo obrigatório, e até indispensável, o qual quanto antes despendido, melhor. Certas tolices, uma vez cometidas, ensinam muito; mas há fases que anulam o benefício de suas lições.
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É bem sabido que, do nascimento à vida adulta…
É bem sabido que, do nascimento à vida adulta, todos somos submetidos a uma sucessão de fases, ou problemas, passíveis de uma esquematização que parte desde a consciência do meio e da individualidade, até problemas mais complexos como a racionalização das emoções ou a integração social. Todos o experimentamos, embora em idades que possam variar e em circunstâncias certamente diversas. Nisso percebemos que pode ser estabelecida, também, uma hierarquia de problemas, dos mais básicos aos mais complexos, geralmente atrelados a faixas etárias, de forma que, para lidar com problemas mais altos na hierarquia, é preciso ter superado, ainda que provisoriamente, os problemas anteriores. Tal avanço envolve uma mudança gradativa nos focos de interesse, uma mudança natural e necessária, exigida pelo próprio amadurecer. É impróprio ao adulto ainda digladiar-se, por exemplo, por autoafirmação, visto que é este um problema característico da adolescência. Igualmente, uma crise existencial verdadeira é característica de um adulto maduro e bem formado. De tudo isso, nota-se o seguinte, raríssimas vezes observado pela crítica literária: o artista, por mais hábil que seja, se se concentra em problemas mais básicos e mais universais, seguramente atingirá um público maior e será melhor compreendido; contudo, a sua obra simplesmente não poderá sustentar o interesse de alguém com o conhecimento da relevância de tais problemas e de sua posição na hierarquia geral, alguém para o qual tais problemas já se encontram há muito superados, e portanto cujo interesse voa por altitudes muito superiores. Daí que não há como fugir: o artista, para ser realmente grande, não pode se limitar a servir o grande público.
Profetizou Dostoiévski…
Profetizou Dostoiévski, e hoje o exibicionismo entranhou-se nos costumes de tal maneira que o não praticá-lo é escandaloso. O maior mal derivado deste comportamento é a noção comum de que aquilo que não é exposto, não é; que para ser, tem de ser compartilhado. E então se dá aquela velha história de que a mentira, impulsionada pelo crédito, torna-se verdade: aquele que nela acredita acaba, de fato, sufocando a sua dimensão interior.
Tal como o ato público mais vale…
Tal como o ato público mais vale por seu caráter educativo, o mais que merece é um atestado de educação. Para além disso, já se entra no terreno da vaidade que, quando não aprisiona, corrompe. O alarde é sempre vicioso, e o bem que se faz alardeando se faz com mais mérito em silêncio. Só com muito esforço se consegue preservar a sinceridade do ato empregando-o como instrumento para a obtenção de aprovação social.