Às vezes, a mais vasta cultura prova-se estéril. Desenvolve-se, atinge estatura impressionante e, mesmo assim, não frutifica. Ou pelo menos não como esperado. E quando analisamos os motivos, sempre, sempre, está lá comprovado pelo exemplo que cultura nenhuma frutifica, senão entranhada de uma experiência suficientemente vasta e igualmente singular. É somente unida a esta que pode realizar-se em obra não apenas única, mas real. Por isso, talvez seja mesmo destinada a senhores que, anos antes, tinham coisas bem diferentes com que se preocupar.
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O homem moderno tem gosto pela comodidade
O homem moderno tem gosto pela comodidade, e tudo o que não deseja são experiências que o chacoalhem e o forcem a se mover. E quando lhe analisamos os dias, os anos, vemos quão lamentáveis são os efeitos da mediocridade, da conveniência e do ócio. É curioso notar a frequência de experiências extremas nas grandes almas, cujo caráter parece se consolidar justamente por elas. Sublimes ou duras, afinal marcam menos pela natureza que pela intensidade, representando a essência transformadora que o costume moderno pretende evitar.
Uma coisa bonita de se ver é a serenidade…
Uma coisa bonita de se ver é a serenidade que brota de uma rotina adequada, e por isso mesmo estimulante. Muito frequentemente, a impaciência não é mais que sintoma de um claro desajuste. Corrigido, ela cessa, e leva com ela os outros colaterais que fazem o homem acreditar que vive a desperdiçar a própria vida. Mas não somente isso: surgem, como por mágica, qualidades antes impensáveis, dando-se a manifestação justa da personalidade e resultando na serenidade que concretiza uma real transformação.
O maior problema do ensino…
O maior problema do ensino é que seus resultados são dependentes do aluno, e este só aprende deveras aquilo que quer aprender. É curioso porque, se movido por interesse verdadeiro, o aluno dispensa professor. E então se pode conjeturar quão menos dificultoso lhe seria o caminho do aprendizado, quão útil lhe seria fornecer de antemão atalhos, lhe apontar a solução de obstáculos esperados e lhe oferecer um itinerário que somente o estudo prolongado é capaz de esboçar. Tudo isso é certo, mas o é desde que se considere o aluno ideal. Ao aluno comum nunca se impõe o estudo sério. E o aluno ideal, que só por sorte se apresenta ao professor, talvez também por sorte será compelido ao dificultoso caminho que somente ele poderá percorrer.