Não há nada mais ridículo que a importação do lixo cultural…

No ocidente hodierno, não há nada mais ridículo que a importação do lixo cultural produzido pelos Estados Unidos por parte de países que, em o fazendo, humilham a própria tradição. Henry Adams bem previu que se não poderia esperar algo bom oriundo de uma civilização ascendente à qual fora negada uma base histórico-cultural decente. E aí está… Todas as bobagens concebidas na América, com a velocidade impressionante da era digital, são instantaneamente exportadas para o resto do ocidente, que parece encantar-se com essa vexante embalagem de um inglês corrompido pela ausência da tradição inglesa. Quanto ao Brasil, é melhor nem dizer…

Os agitadores políticos de épocas passadas

É um fato notável que, para que saibamos quem foram os agitadores políticos de épocas passadas, tenhamos de recorrer a obras que não as de história. São raríssimas as exceções a essa regra, e o mais das vezes aplicam-se aos piores exemplos da classe. Triste destino! E ver que a história não concede uma linha, uma mísera menção ao grosso destes que em vida inspiram admirações tão exaltadas, influindo diretamente na dita opinião pública e passando uma falsa impressão de importância — que a história trata de desmentir. Disto se tira uma única conclusão…

Em algum ponto da história, a imprensa descobriu…

Em algum ponto da história, a imprensa descobriu que poderia vender verdades — e o quanto poderia lucrar com fazê-lo. Então, atinando-se para a nova potencialidade, assumiu-a com gosto e, em obra de décadas, gradativamente intensificando-a, posto que o intensificá-la provou-se mais e mais lucrativo, transformou-se numa ferramenta de manipulação sistemática. Por um tempo, nada pareceu capaz de fazer-lhe frente, minorar-lhe o poder soberano; e iludiu-se que seria sempre assim. O que se deu no ocidente, pois, de forma intempestiva e notavelmente no Brasil, é algo simplesmente delicioso de observar: todo esse império canalha, esse conglomerado da mentira encontra-se, agora, alvejado pela fúria das mesmas massas que manipulou, e parece condenado a ruir. É um privilégio notá-lo em tempo real! E quem poderia prever? Após muitos anos mentindo, mentindo e mentindo, ao ponto de fazê-lo com descaramento espantoso, extrapolando todos os limites e insultando a inteligência daquele que enganava, alentou contra si uma reação violentíssima que não avisou o momento de estourar. É verdade, é verdade: ainda é cedo para arriscar os capítulos finais desta história; mas, por ora, não há como conter o esticar do mesmo sorriso que vivia na face de Voltaire.

Ocorreu no Brasil uma drástica mudança…

Nos últimos anos, ocorreu no Brasil uma drástica mudança psicossocial que há de ter efeitos duradouros e que, por ora, são de extensão imponderável. Impulsionado especialmente pela política, e na contramão do que ocorre no restante da América do Sul, o fenômeno encantaria tanto um Gilberto Freyre quanto um José Maria Bello. Apenas um cego o não notaria ao analisá-lo sociologicamente perante as últimas décadas. Está em curso uma guerra sobretudo de valores, iniciada por uma centelha que aparentava insignificante mas que gerou um efeito em cadeia e cuja vitória, agora, parece mera questão de tempo. A intelectualidade dominante, que estabeleceu-se num trabalho de décadas, exatamente no momento em que parecia soberana e invencível, viu surgir, de onde jamais esperaria, um movimento reativo que a fustigou com violência inopinada. Hoje, vemo-la em desespero, valendo-se de todos os poderosos meios de que dispõe para evitar a derrota; mas ainda assim parecem estes ineficazes, somente a postergar um fim que já se afigura inevitável. Será uma lástima se o futuro não puder apreciar este momento através de linhas isentas.