A diferença entre o intelectual jovem…

A diferença entre o intelectual jovem e o intelectual maduro é esta: o último tem coragem para assumir a responsabilidade pelo que diz. Parece pouco, mas não é. O jovem é, frequentemente, lógico e rebelde, é capaz de críticas ferozes e perspicazes; mas, o mais das vezes, não tem coragem de fazê-las expondo o seu rosto, nem atrelando a elas seu nome completo. Em suma: não tem coragem de assumi-las, muito menos de sofrer as consequências de sua provocação. O tempo passa, porém. E a temperança que costuma conferir pode enganar sobre este quesito: o intelectual maduro, embora pareça mais comedido, não tem medo de ir até o final.

Dez anos de estudo independente…

Dez anos de estudo independente bem estruturado colocam o estudante acima de qualquer professor universitário brasileiro que não tenha sido, também, um bom estudante independente. Não faz diferença a área de atuação: a academia não forma, sozinha, intelectuais dignos do nome, e não lhes confere a integração necessária do conhecimento especializado no conhecimento geral. As razões para tal podem ser debatidas, não o fato escandaloso de que a especialização o mais das vezes restringe o horizonte intelectual ou, antes, de que os especialistas se mostram míopes para qualquer coisa que extrapole sua restrita área de especialização. É curioso porque, em tese, não há erro estrutural aparente: a especialização só é possível após a graduação. Mas esta parece insuficiente, se não perniciosa, e não produz graduados prontos para se especializar.

Há desafortunados que chegam à vida adulta…

Há desafortunados que chegam à vida adulta desprovidos da experiência da lealdade, a qual, se refletirmos bem, não costuma ser comum. Contudo, aquele que teve a sorte de viver as circunstâncias necessárias para assimilá-la, tem de dar um passo adiante. Por mais que a valorize, por mais que através dela tenha incorporado lições importantes, é preciso que perceba sua insuficiência para sustentar uma relação. Excelente, sim; mas não mais do que pré-requisito. É voltar, pois, a São Tomás de Aquino, fortificado da experiência para lhe dar maior razão.