Ironias à parte, temos muito que aprender não só com as lagostas, mas também com os chimpanzés e até com os ratos, uma vez que a ciência nos ensina que nossos materiais genéticos são praticamente idênticos. Quem diria que, afinal, as diferenças qualitativas são menores do que se supunha no tempo de Aristóteles, quando não havia ferramentas de medição, senão a mente. Agora, podemos tomar consciência de que o que difere um homem de um rato não é mais do que ilusão! Sem dúvida, é interessantíssimo esse inovador método da neurociência, que estuda animais para tirar conclusões sobre seres humanos. É o contrário do que faz a psicologia, que estuda seres humanos e tira conclusões sobre animais.
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Mais de uma vez, entraram nestas Notas…
Mais de uma vez, entraram nestas Notas lamentos diante da injustiça. E entristece ver que, aparentemente, eles nunca cessarão. A modernidade facilitou muito o trabalho de odiar. Tornou os alvos mais visíveis, mais acessíveis e, sobretudo, beneficiou o agrupamento das hordas, sua atuação ao mesmo tempo sistemática e difusa, que facilmente acaba com uma reputação. Daí que repetidas vezes se observa o exemplo daquele homem bom, que dedicou a vida inteira ao estudo e, no fim da vida, quando os anos já lhe conferiram maturidade ao discurso, tem a vida destruída em resposta à sua sincera exposição. Que sirvam de consolo, ao menos, as palavras e o exemplo de Jesus.
Curiosamente, a influência e o sucesso…
Curiosamente, a influência e o sucesso o mais das vezes se acompanham da controvérsia, e esta da inveja, do ódio e da difamação. Tal norma se observa independentemente das personalidades e do cunho daquilo que se expõe ao público, o qual ama e odeia, admira e inveja. Polemistas a conhecem tão bem como santos e líderes espirituais. Conhecem-na o nobre e o canalha, o inflamado e o polido. Assim, buscar aqueles primeiros desconhecendo o curso natural das coisas é submeter-se a uma prova um tanto desagradável, da qual não parece ser possível escapar.
Da mesma forma que a um forasteiro…
Da mesma forma que a um forasteiro pode parecer imodéstia aquilo que um carioca chamaria de “personalidade”, o mesmo forasteiro, em contato com chineses, poderia estranhar-lhes a modéstia, que por vezes parece exagerada ou irracional. Acontece que, em ambos os casos, tais impressões seriam falsas, e nada diriam sobre os indivíduos, afora estarem em harmonia com o costume local. Aqui, percebe-se quanta confusão pode gerar o contato com outros povos, e quão pouco se pode conhecer dos indivíduos quando se ignora as regras de comportamento predominantes em sua região.