Pelo senso de humor descobre-se a experiência. E são poucos os traços da personalidade tão reveladores como este. O sujeito acostumado ao chão de fábrica, por exemplo, não precisa de muito para escandalizar aquele outro, criado nos moldes da elite europeia. E este último, se faz uma piada, ou não será compreendido pelo primeiro, ou lhe parecerá ridiculamente infantil. Assim são as coisas. Mas é difícil, para aquele que ambos compreende, classificar o humor de um ou de outro como melhor. O que não é difícil é perceber, com um pouquinho de conversa, a vivência que moldou a pessoa com que se está a conversar.
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Não parece nem um pouco seguro tentar…
Não parece nem um pouco seguro tentar estabelecer paralelos entre a aptidão física e a personalidade intelectual de escritores, e a prova disso é que, apenas pelo texto, dificilmente se tem uma pista daquela. Contudo, é muito interessante quando descobrimos que um escritor foi, também, atleta enquanto viveu. O fato é menos interessante pelas possíveis proezas realizadas, e mais pela importância do hábito atlético na rotina: pela necessidade, e pelo colher dos benefícios de exercitar-se. Há, decerto, exercícios e exercícios; contudo, é notório que, desde que executados com alguma intensidade, o trabalho depois deles flui muito melhor. A diferença é sensível: ao trabalho físico sobrevém um relaxamento, uma serenidade positiva para a atividade intelectual.
A diferença entre o intelectual jovem…
A diferença entre o intelectual jovem e o intelectual maduro é esta: o último tem coragem para assumir a responsabilidade pelo que diz. Parece pouco, mas não é. O jovem é, frequentemente, lógico e rebelde, é capaz de críticas ferozes e perspicazes; mas, o mais das vezes, não tem coragem de fazê-las expondo o seu rosto, nem atrelando a elas seu nome completo. Em suma: não tem coragem de assumi-las, muito menos de sofrer as consequências de sua provocação. O tempo passa, porém. E a temperança que costuma conferir pode enganar sobre este quesito: o intelectual maduro, embora pareça mais comedido, não tem medo de ir até o final.
A vida fica muito mais prazerosa
A vida fica muito mais prazerosa e interessante quando se aprende a colecionar, desenvolver e preservar um repositório de bens que o dinheiro não compra. Não é necessário que seja tão grande; basta que bem cultivado, que regularmente cultivado, e tem-se um estimulante novo motivo para acordar.