Deve ser mesmo uma sensação gostosa…

Deve ser mesmo uma sensação gostosa ter uma certeza para professar, tê-la pulsante e empregar todo o espírito para colocá-la no papel. É, de certa maneira, fazer jus à sua verdade, e à sinceridade do sentimento que a reconhece. Por isso, experimentando-a, é dever do escritor professá-la, não importa o que vão dizer. Como é dever dos outros apreciar com admiração o ato de sinceridade do escritor que, honrando a profissão, não engana a si mesmo e nem ao seu leitor.

Muito se pode aprender com a forma…

Muito se pode aprender com a forma com que esses marinheiros, caçadores e demais aventureiros narram as suas experiências. Em resumo, todas essas narrativas consistem no relato da persecução de um objetivo, que vai sendo obstaculizado por circunstâncias diversas. Às vezes, a adversidade é tamanha que o objetivo passa a ser a mera sobrevivência. Mas prossegue a narrativa sempre imbuída de um propósito claro, ao qual tudo o mais se submete. O leitor nunca hesita a respeito da importância relativa dos eventos, e compreende tudo tão claramente que se sente a viver a história. O relato, pois, literariamente logra, apresentando ao leitor uma experiência, uma vida, repleta de sentido.

Estilisticamente, tolera-se muito…

Estilisticamente, tolera-se muito; mas esse vício de ocultar o que está sendo dito, de intencionalmente complicar o simples, só se tolera caso o esforço de interpretação premie; do contrário, o autor não consegue mais do que irritar. E o pior é ver a quantidade de exemplos dessa prática, que para alguns passa por mérito, como se dizer obliquamente fosse criativamente dizer. É lamentável. A mesma linguagem, sublimada pelos grandes, rebaixa-se a refúgio para aqueles que não têm o que dizer.

Em literatura, é depois de se ter investido…

Em literatura, é depois de se ter investido horas e horas de esforço por muitos anos que se alcança o grau de comprometimento ideal. Antes disso, move-se mais por uma motivação que, grande ou pequena, caso cesse fará que se interrompa o desenvolvimento da vocação. Depois dessa fase, é sempre perante um trabalho monstruoso já realizado que o escritor irá se confrontar. Já não há volta, o que está feito impõe-se, e o necessário é simplesmente continuar.