Liberdade ou escravidão?

Raia a segunda-feira. O sujeito acorda, cedo, e dirige-se o trabalho, onde lhe passa o dia. Torna à sua casa, exausto, onde lhe restam poucas horas antes de dormir. No dia seguinte, repete a rotina, e depois e depois, a esperar no fim do mês um salário. Finais de semana: se o dinheiro sobra — ou falta, — é hora de empregá-lo a obter algum prazer. Passa-se um, dois, vinte anos, e o sujeito permanece na rotina, já ansioso pelo dia em que o Estado lhe pagará as despesas mensais. Pergunto: a liberdade, se em doses homeopáticas, não seria a escravidão? Ou ainda: não se perceber escravo não seria, em essência, patologia cerebral? De qualquer forma, reconheço: é melhor que tudo fique como está, seja pela placidez da rotina, seja pela escassez de antidepressivos no mercado.

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Amar e ser amado

“Amar e ser amado”: eis o capitalismo aplicado às relações afetivas, dando-nos mostras de seu imenso vigor. Eu poderia dizer: só ama quem não exige nada em troca, ou ama-se justamente por nada esperar. Mas como soaria ultrapassado! Hoje é tudo um intercâmbio: “Gero valor, pois quero logo minha retribuição!”. E é ingênuo achar que as permutas não se apliquem a tudo, que o maior dos amores ou a mais ínfima das convenções se não sumarize numa relação de troca. Para tanto, basta um modesto exame interior…

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A vida intelectual, de A. D. Sertillanges

A vida intelectual, de Antonin-Dalmace Sertillanges é, sobretudo, um livro prático: um manual destinado a todos aqueles que buscam estruturar uma vida que exceda a banalidade cotidiana. Digo de minha parte: quando, lá pelos meus vinte anos, deparei-me com esta obra, encontrei justamente o que precisava: a motivação e os meios para arquitetar um plano de estudos de longo prazo, reconhecendo a importância dos hábitos, da seleção das leituras, do recolhimento, em suma: da organização da vida para o progresso intelectual. E lembro-me o prazer em respirando aquelas belas páginas de Sertillanges, dotadas de serenidade contagiante, justificando, elevando e enobrecendo o trabalho intelectual. Sem dúvida, é livro para fechar inspirado, agradecido e motivado.

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Busca da felicidade

A felicidade só pode ser finalidade de vida em naturezas fúteis. Em primeiro lugar, por sua impossibilidade; em segundo, por sua pequenez. Que mal faz aceitar a vida em totalidade? É atitude vigorosa saudar os maus momentos, e mais: valorizá-los enquanto formadores de sentido.

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