É impressionante o quanto se pode aprender com os símbolos, o quão mais poderosa se torna a imaginação com o seu estudo, embora não se consiga, ou simplesmente não se possa fechá-los num conhecimento prático definitivo. Haverá sempre uma porta aberta, sempre possibilidades a serem notadas, que talvez contrastem com aquilo que se julgou aprender. Assim que o estudo, por mais profundo que seja, é sempre inconclusivo, visto que um símbolo nunca se pode exaurir. Mas compensa, e com ele a imaginação atinge um novo patamar.
Tag: filosofia
É sorte das grandes quando o destino…
É sorte das grandes quando o destino cuida livrar-nos de encargos os quais não escolhemos, ou não desejaríamos assumir. Muitas vezes, tais lances passam despercebidos, embora nos preservem de imensa aflição. Suportamos mais sofrimento que imaginamos, desde que este venha justificado; quando sofremos por nada, ainda que isto seja apenas o que nos pareça, pouquíssimo podemos suportar. Nunca se há de assumir a cruz do outro, ou a cruz de todos, só porque assim se costuma fazer. Devemos escolher cuidadosamente a justificativa das lágrimas futuras, e agradecer ao destino quando nos torna livres para assumir nossa razão de sofrer.
Chegou-se num ponto em que é impossível…
Hoje, chegou-se num ponto em que é impossível a produção de um scholar como os antigos, que se mantinham mais ou menos a par de tudo quanto aparecia de novidade em muitas áreas do conhecimento. O próprio especialista já encontra humanamente impraticável acompanhar os avanços de sua especialidade. E então se coloca a questão: quantos, hoje, serão capazes de fazer as grandes sínteses, tão necessárias à orientação? Difícil dizer… Mas é sorte notar que os grandes temas não mudaram, e que não é preciso demasiado para alcançar uma incompleta, mas fecunda orientação.
Ou se valoriza o que há de penoso…
Não adianta: ou se valoriza o que há de penoso no passado, ou pouco dele se poderá aproveitar. O tempo não retorna, e menos ensina o que menos esforço exige para absorver. Ali onde machuca reside uma oportunidade, e só se aproveita o passado quando se assimila o paradoxo de reconhecer nele a identidade presente ao mesmo tempo que se aceita a parcela do que era, mas já se foi.