A certeza enquanto se vive neste mundo…

A certeza enquanto se vive neste mundo é ter de confrontar distúrbios repetidamente, não importa o quanto se isole ou se evite a confrontação. Virão os distúrbios como vem o dia, quer nas grandes, quer nas pequenas coisas, bastando para notá-los um envolvimento qualquer. Por isso faz bem aproveitar aqueles momentos em que o ato empreendido flui como leve, sem obstáculos; logo, logo, eles aparecerão.

Lembrar que as grandes mudanças…

Lembrar que as grandes mudanças não ocorrem todos os dias é o conselho mais óbvio e prudente para aquele que se acostumou a agir apostando no improvável. Porque, em suma, não há razão para que o fracasso previsível se converta em frustração. É preciso agir pelo agir, e deixar que suceda o que tiver de suceder. Assim, blinda-se contra o incontrolável e retira-se proveito de onde seguramente se pode retirar.

A vida é sempre mais interessante…

A vida é sempre mais interessante quando se arrisca, e se vive consciente de que agir é arriscar. Mas ocorre, às vezes, que a má sorte é tanta, que os sucessivos baques vão se acumulando de forma insuportavelmente decepcionante, e logo se perde aquele mínimo de esperança sem o qual não se pode arriscar. Tal desânimo é a morte do espírito, e é sem dúvida muito mais proveitoso passar a vida como um louco iludido do que a ele sucumbir; pois o louco ao menos age, e de sua ação se pode retirar algo de bom.

Parece haver em cada vida individual…

Parece haver em cada vida individual uma série de decisões necessárias, que se efetivam na biografia quer por bem, quer por mal. No primeiro caso, tudo parece fluir tão naturalmente que a decisão às vezes passa imperceptível, como se fosse um desdobramento inevitável e não propriamente uma decisão. Porém, caso negligenciada, a vida prossegue carregando uma questão pendente, que vai progressivamente se agravando, paulatinamente concentrando mais e mais tensões, até que chega um momento em que é impossível escondê-la, impossível suportá-la, e a vida inteira parece convergir e pressionar para que se tome aquela decisão anterior, que agora se efetiva com atraso, e acarreta, junto de um grande alívio, a sensação de que muito tempo se perdeu.