Viver é estar em condição de fazer algo, mas é também a necessidade de fazê-lo, o que é racionalmente confirmado e admitido pela escolha de continuar vivendo. Só se vive porque é preciso agir, e sem essa noção primária nada de verdadeiramente grande se pode fazer.
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O que mais sofre tende a tornar-se o mais forte…
O que mais sofre tende a tornar-se o mais forte, o mais desiludido tende a tornar-se o mais prudente, o mais enganado tende a tornar-se o mais prevenido. Em todos estes casos, porém, o benefício não se concretiza sem que haja um esforço pessoal por transformar a experiência desagradável, que começa por aceitá-la e compreendê-la, por aceitar-se vulnerável e entender o sucedido como ponto de partida. Passivamente, o homem nunca evolui.
Todo homem acaba sempre suportando…
Todo homem acaba sempre suportando mais do que se julga capaz porque, hora ou outra, o inesperado acaba forçando-o a fazê-lo e forçando-lhe a adaptação, ensejando que lhe brote do íntimo uma força inédita sob o estímulo da imperiosa necessidade. O homem moderno, cujo cotidiano parece concatenar uma sucessão de falsas certezas, transmitindo uma impressão enganosa de segurança, oculta-lhe a noção do verdadeiro vigor.
Se algo ensinam as várias biografias da revolta…
Se algo ensinam as várias biografias da revolta, é que se pode evitar a sociedade, o contato e mesmo a vida até determinado ponto a partir do qual o esforço não é somente inútil, mas gerador de uma retaliação violentíssima, que de outra forma não sucederia. Quer dizer: neste mundo, há um limite em que é melhor assumir de bom grado algumas condições inerentes da existência, antes que elas sejam impostas; é melhor aceitá-las e trabalhar sobre elas, em vez de empregar um esforço desnecessário para vencê-las, sabendo de antemão que tal esforço irá malograr.