Ao homem nunca é dada a possibilidade…

Ao homem nunca é dada a possibilidade de fazer tudo aquilo que quer, mas, igualmente, nunca lhe é negada de todo a possibilidade de agir. Tudo fica sempre entre estes dois extremos e, na maioria das vezes, pode-se fazer mais do que se supõe. Não se pode, porém, agir no pretérito ou avançar no tempo, e tais impossibilidades frequentemente constrangem. Tais impossibilidades, em verdade, só podem constranger, e enquanto não se aprende a desprezá-las, não se valoriza o muito, o até sobejo que se pode aproveitar.

As preocupações e os pequenos erros…

Felizmente, as preocupações e os pequenos erros, mesmo se abundantes, passam sem que nenhum esforço seja realizado para tal. Simplesmente passam, e com uma facilidade que, às vezes, parece milagrosa. Então, mente fresca, ânimo restaurado, há uma nova oportunidade para retomar a atenção ao principal. O mais difícil, frequentemente, é sustentar com paciência essa certeza: há momentos em que a vista escurece, e o mais que se pode fazer é conter-se e esperar.

A busca pela identidade

A busca pela identidade envolve, em primeiro lugar, o reconhecimento do elemento estável nas mais díspares e afastadas manifestações, isto é, envolve reconhecer a coesão que se desenha durante o desenvolvimento da personalidade. Às vezes, a tarefa não é fácil, e tal coesão não se identifica nos atos, mas numa intenção mais ou menos manifesta, sem a qual o vivido se embaralha em confusão. A identidade porém existe, porque o indivíduo não se desfaz nem se torna outro — e encontrá-la é sempre revelador.

Quando se amadurece deveras…

Quando se amadurece deveras, à medida que o tempo vai subtraindo, à medida que a responsabilidade aumenta e o passado adquire peso e vulto, também se adquire a capacidade de desligar-se do acessório até que, enfim, a vida se torna mais simples. Esse processo, porém, é dependente da capacidade de entender-se e enxergar-se proporcionalmente no panorama da existência, algo que, naturalmente, resulta no dimensionamento justo, sem exagero nem demasiada modéstia, daquilo que se pode e que se deve fazer.