Todo planejamento de longo prazo…

Todo planejamento de longo prazo envolve a aceitação do sentimento nem um pouco ameno que seguramente brotará durante o processo, e parecerá fazer de tudo para que o plano seja logo abandonado, uma vez que a meta se encontra muito distante e talvez seja melhor empregar-se em algo mais gratificante. O pior, sem dúvida, é quando o planejamento não almeja senão criar condições para que um outro plano seja executado, e este outro, somente, parece ter verdadeiro valor. Aqui, sente-se todo o peso do universo, bloqueador de possibilidades, injusto e opositor; sente-se doer a estagnação aparente, a impotência perante o mundo, a incapacidade de fazer algo efetivo para acelerar o processo. E assim brota uma terrível frustração. Contudo, avançando-se mentalmente no tempo, visualizando o objetivo concluído, é possível munir-se da certeza de que tudo terá valido a pena. Mas é preciso, antes de tudo, inteirar-se do esforço requerido, pois nem todos estarão dispostos à suportar os dias ruins.

O melhor conselho para a vida intelectual…

O melhor conselho para a vida intelectual é nunca se distanciar da religião, nunca se permitir que os dias corram desprovidos de uma leitura ou de uma prática instrutiva, que não deixam o espírito distanciar-se daquilo que há de superior. O hábito tem de ser imposto, isto é, tem de ser continuado quando a mente se esquiva, para que influa quando não se está pensando, ou se esqueceu da influência que pode exercer. Forçar a rotina é não deixar que as fraquezas interrompam um processo gradual que remove obstáculos para que o intelecto possa florescer.

Tanto a tradição cristã quanto a tradição oriental…

Tanto a tradição cristã quanto a tradição oriental sabem muito bem que o erro pesa muito menos ao leigo que ao conhecedor. Por isso se costuma dizer que se deve refletir cautelosamente antes de se assumir o caminho da renúncia: uma vez feito o voto, a queda é certamente mais severa, e frequentemente irreversível. Assim é para assuntos do espírito. Ai daquele que, ciente do mundo, propõe-se renegá-lo. A partir deste momento, parecerão infinitas as tentações, camufladas cada vez mais sutilmente, sempre à espreita na expectativa de um assentimento mínimo, que não parece nada, mas que consuma para sempre a traição. Daí em diante cai-se e cai-se muito fundo sem que se perceba, passa-se a cometer erros simples, há muito superados, e quando a mente se recorda, num lampejo fortuito, do velho voto, do prévio estado de espírito já inexistente, os quer a ambos, mas já não não pode tê-los, e talvez não poderá nunca mais.

Embora seja muito mais satisfatório…

Embora seja muito mais satisfatório e estimulante deixar-se guiar estritamente pelo interesse à medida que se avança nos estudos, não há dúvida de que, às vezes, tal postura faz brotar um sentimento de estagnação. Isso porque, adotando a via contrária, isto é, quando se realiza um estudo sistemático e aprofundado numa área específica do conhecimento, a evolução se faz demasiado evidente. A terminologia, de absorvida, passa a ser corriqueira; mais e mais detalhes são assimilados, em ato que fortalece também a base da disciplina, a qual parece tornar-se cada vez mais óbvia. Porém, neste percurso, costuma chegar-se a um ponto em que se nota o grande distanciamento já consumado daquele estímulo inicial motivador do interesse. Então, o impulso filosófico, por essência sintetizador, reclama da inutilidade da especialização e pede abrangência. Assim, a tendência é adotar a postura anterior. Estagnação e inutilidade, pois, são os fantasmas que o estudante tem de aprender a espantar.