Ser capaz de enxergar o momento atual em perspectiva exige um nível de consciência tão raro que, talvez, mereça ser qualificado como dom. Fazê-lo permite integrar-se corretamente no tempo, agindo conforme convém, isto é, dando a devida justificação ao passado e garantindo que, no futuro, haverá algo por que se congratular. Quiçá, apenas por isso, não se justifique a alcunha de gênio; mas aquele que o realiza, uma única vez, se lembrará para sempre deste momento de raríssima iluminação.
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Toda vida encerra um drama próprio…
Toda vida encerra um drama próprio que não se adequa à maior parte das generalizações. Mesmo a natureza mais simples, com os mais comezinhos interesses, coloca na existência algo inteiramente individual. Por isso, às vezes, é refratária a conselhos, e mergulha em problemas aparentemente sem solução. O que nisso fica encoberto decorre da velha observação de São Tomás de Aquino: circunstâncias particulares exigem procedimentos também particulares. Ignorá-lo é retirar, sempre, a realidade da situação.
O estudo disso que se convencionou chamar…
O estudo disso que se convencionou chamar esoterismo é frustrante por inúmeras razões. A primeira delas é a quantidade de farsantes e falsários que pululam neste terreno. Depois, o universo tedioso que o envolve. Mas, sobretudo, é por não entregar aquilo que promete que o esoterismo se torna mais frustrante. Ao menos, por ele o estudante não se realiza, e só o descobre após muito estudo, quando não após algo pior. Contudo, seria faltar com a verdade classificar este estudo como vão. O “esoterismo” se apropriou de uma tradição que, sem ele, vinha quase esquecida. Mas além disso: após milhares de páginas, percebe-se que algo se aprendeu. E ainda que, durante o processo, tal aprendizado não se tenha mostrado evidente, o próprio estudo, quiçá valendo-se das páginas como intermediárias, ou como inspiração, dá a impressão final de ter revelado algo de valor.
A matemática financeira tem algo de cruel
A matemática financeira tem algo de cruel. Estudando-a, verifica-se sem muita dificuldade que ela funciona, isto é, que o longo prazo realmente concretiza a teoria da multiplicação. Embora recente, ela já dispõe de dados históricos suficientes para estimar com certa segurança os resultados de diferentes cenários, incluindo aqueles impremeditados. O risco, também, já se quantifica em números um tanto confiáveis. Daí que todos esses cálculos, todas essas estimativas, toda essa maneira suficientemente segura de operar, com resultados mais que satisfatórios, fundamenta-se sempre em percentuais. O cálculo mais mirabolante, o computador mais poderoso não se consegue livrar desta imposição: uma porcentagem é sempre relativa ao principal.