Tão intensa quanto a vontade de estudar e conhecer é a angústia experimentada naqueles dias em que o conhecimento possível parece irrelevante, limitadíssimas as possibilidades e insuficientes os meios de conhecer. E parece que o tempo só faz intensificá-las, à medida que a morte se aproxima e é preciso chegar logo a algumas conclusões. Agravam-se ao mesmo tempo a urgência e a sensação de tempo perdido, já numa fase em que se pensava poder-se apaziguar. Não há solução: é deixar que passe o fugaz nisso tudo e aproveitar ao máximo o impulso positivo, estimulante, quiçá um tanto ilusório, mas que não se esgota e traz sempre um motivo para querer acordar.
Tag: filosofia
É só depois de muito tempo, e após presenciar…
É só depois de muito tempo, e após presenciar muitos rompimentos e muita frustração, que se percebe a verdade da lição: sem o idem velle, idem nolle, a amizade não prospera. E não o faz pelo bem, posto que, com o tempo, sem ele não fará senão estorvar. Quando menos se percebe, já se perdeu tempo, já se foram oportunidades, já se gastou energia e já se estagnou. Daí que não há fracasso mais previsível, quando o tempo não trata de alinhar ao velho princípio, e notá-lo é saber que há forças contra as quais não compensa lutar. Melhor, sem dúvida, é seguir os conselhos da inclinação natural, espontânea, que sem ter de gastar uma única palavra aponta a direção para a qual o espírito deve convergir.
Não há homem suficientemente passivo…
Não há homem suficientemente passivo que chegue à velhice e, olhando para trás, seja capaz de justificar-se como vítima da vida que levou. Isso nunca é possível, e notá-lo escancara uma preciosa lição. Há sempre uma ação que sucede as imposições do destino, e é nela que se grava a marca pessoal. Numa biografia, tais ações ficam em evidência, e assim como não se pode separá-las dos acontecimentos que as motivaram, também não se pode daqueles que, por elas, vieram a se passar. Afinal, é sempre possível apontar o peso da responsabilidade individual.
Poder, como Radhanath Swami, escrever um livro…
Poder, como Radhanath Swami, escrever um livro como este The journey home, e chamá-lo de autobiografia, é algo que uma parcela ínfima dos homens de todos os tempos tiveram a oportunidade de fazer. E é difícil imaginar o quão satisfatório deve ser olhar para trás e ter vivenciado uma história como essa, tão incrível como instrutiva, e somente não modelar porque jamais poderá ser vivida por um homem comum. Para ter experiências parecidas, é preciso ter a coragem própria dos loucos, que nada temem e estão sempre dispostos a perder o que têm. Mas aí está uma prova mais de que a loucura compensa, e de que este mundo parece um tanto diferente para aquele disposto a sacrificar-se para realizar aquilo que mais intimamente quer.