O experimento comunista

Apesar de toda a extensa documentação a respeito do horror do experimento comunista sobre a terra, um horror tão absoluto que torna quase impossível uma investigação prolongada sobre o tema, visto que investigá-lo é deparar-se com relatos infinitos de privações, miséria, tortura, corrupção moral e aniquilamentos tão variados quanto a imaginação humana, é inacreditável notar que a palavra comunismo não só não desperta o terror condizente, mas a muitos é inócua e a outros ainda seduz. Este fato é uma exclamação tão acachapante que tem de, obrigatoriamente, ser evidência de uma profunda lição. A nível coletivo, o comunismo resumiu-se a uma carnificina que elevou a miséria a um patamar inédito; a nível individual, resumiu-se à degradação. Neste deplorável experimento, o que se viu foi o florescimento daquilo que há de mais traiçoeiro e selvagem, a expansão desenfreada da crueldade e da opressão; o indivíduo médio foi submetido a uma vida de miséria e privações involuntárias, espólio, tortura psicológica a níveis inconcebíveis, de forma que sua própria sobrevivência passou a ser condicionada à submissão. Fuzilamentos incessantes, sem motivo nem piedade, mas que, diante do cenário geral, mais pareceram um livramento aos fuzilados… E tudo isso, embora massivamente registrado, embora ao lado de um obituário infinito, parece inútil. Só há uma lição a se tirar: o homem é absolutamente incapaz de aprender.

Todo aquele cujo sonho é a implantação…

Todo aquele cujo sonho é a implantação de um totalitarismo ideológico padece, antes de tudo, de ignorância histórica. Se a falta de altivez o impede de mirar um pouco além do interesse imediato, um pouco de juízo o recomendaria não desafiar uma reação imprevisível e incontrolável. Mas a história, sempre, há de fazê-lo pagar, porque é infalível em apontar o totalitarismo como aspiração restrita a canalhas. O curso de uma vida é muito pequeno para as consequências que se lhe podem suceder, e se a ignorância histórica, por vezes, pode não comprometer a curto prazo, um pouco de paciência demonstra que, enfim, ela sempre compromete.

Uma geração nunca aprende com o passado

“A história se repete” é uma afirmação verdadeira porquanto amparada na absoluta incapacidade humana, atestada por cada geração, de transmitir adiante o aprendizado de suas experiências. Por isso a civilização acha-se sempre à beira dos mesmos colapsos e revoluções pregressas, refém dos mesmos erros, explorada por novas versões das mesmas armas, sujeita aos mesmos esquemas de domínio, aos mesmos tipos guiados pelas mesmas ambições. Uma geração nunca aprende com o passado, e o que aprende com o presente terá de ser aprendido com o presente de novo e de novo pelas próximas gerações.

O que há de mais difícil e perigoso…

O que há de mais difícil e perigoso para nós, modernos, no estudo da história, é vencer a tendência de ver-nos a malícia refletida nas ações daqueles que viviam num tempo ainda não corrompido pelo marketing. Somos inclinados a encontrar, sempre, a mentira e o interesse por trás de cada ato e de cada palavra, quando, em verdade, para nem entrar na questão moral, estas não premiavam com a generosidade e segurança que ora premiam. À mente moderna é estranha a pureza de intenções e o agir sem nada esperar em troca; por isso, para bem compreender algumas vidas pregressas, é preciso, antes de tudo, submeter-se a uma evolução.