Um grande erro destes artistas…

Um grande erro destes artistas que pretendem conceber obras de “importância nacional” é que, centrando-se numa temática supostamente abrangente, esquecem que, para que ela seja efetivamente abrangente, o melhor teste é assegurar-lhe a relevância a nível pessoal. Falhando em percebê-lo, caem num artificialismo que é o resultado natural quando não se percebe a real importância das coisas. A obra, portanto, concebida para ser abrangente, acaba por sair descolada da realidade — ou, mais simplesmente, irrelevante.

É incrível notar como a poesia…

É incrível notar como a poesia, da metade do último século em diante, tornou-se praticamente ilegível. Ilegível e ruim, salvo exceções que parecem pertencer a outro tempo. Não adianta, nem com a máxima boa vontade supera-se o problema: a poesia contemporânea, quando muito, aparenta interessante, ilude quando dotada de uma obscuridade que parece guardar algum tesouro. Enfim, o esforço para compreendê-la nunca compensa. É lamentável.

Ainda que beirem o irreal e o inconcebível…

Ainda que beirem o irreal e o inconcebível, sem dúvida os textos místicos são leitura mais agradável que a mesquinhíssima literatura do banal. Porque aquela, como as lendas e como a literatura fantástica, possui um teor sugestivo muito mais estimulante do que este realismo corriqueiro, que faz com que a leitura aparente uma tremenda perda de tempo. Se é para imergir nas letras, que seja para que a mente se expanda, e não para que se aprisione naquilo que não carece nem de letras, nem de imaginação.

A melhor literatura é, sempre…

A melhor literatura é, sempre, aquela mais conectada com a experiência direta, sobre a qual se apoia a individualidade do autor. Por mais e melhor que idealize, o seu espírito se mostrará mais intenso quando a descrever não aquilo que imagina, mas o que conhece. E é por esse motivo que, em muitos casos, é a biografia que abona o autor.