A literatura hindu, cuja real exuberância as traduções existentes ainda não são capazes de revelar ao ocidente, já não pode inspirar senão tremendo respeito ao ocidental que a investigue. A verdade é que, por vezes, um texto hindu imaginativamente pobre e precariamente traduzido já é capaz de evocar uma realidade tão impressionante que só empregando toda a sua capacidade imaginativa o ocidental pode conceber. É admirá-la, pois, ainda que o apreendê-la possa parecer inviável ou inconveniente.
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Se há algo bem retratado na literatura brasileira…
Se há algo bem retratado na literatura brasileira, é a influência desestimulante, corrosiva e até opressora de um ambiente que representa a antítese de qualquer aspiração superior. O infeliz, pois, que a experimenta neste meio, vê-se frequentemente esmagado por uma multiplicidade de fatores que não somente o excedem em força, mas parecem trabalhar incessantemente para que ele jamais se liberte. O mais dramático desta situação é que não é preciso apenas uma força de vontade gigantesca para superá-la, mas é força que esta seja constante: uma única fraquejada, uma única cessão do ânimo e toda a dita multiplicidade de fatores se revelará com potência máxima puxando-o para baixo. Para resisti-lo, parece, é preciso ser mais que apenas homem.
Se parece incerto o futuro dos livros…
Se parece incerto o futuro dos livros de papel, para não dizer estarem eles, decerto, com os dias contados, não há como não proceder no raciocínio e imaginar as bibliotecas como relíquias de um passado distante. Formá-las e mantê-las, portanto, apenas colecionadores. Este simples fato, embora encubra o rol de facilidades conferidas ao leitor comum pela modernidade, não pode inspirar bons sentimentos. Um livro como uma antiguidade… Que dizer?
Nem o hábito mais profundamente arraigado…
A verdade tem de ser dita: nem o hábito mais profundamente arraigado resiste às reais e inequívocas vantagens que estes modernos aparelhos eletrônicos oferecem à leitura quando comparados a um livro físico. Basta um único teste. A flexibilidade de posições de leitura, a possibilidade de personalização de fontes e espaçamentos, a desnecessidade de qualquer cuidado com a iluminação externa, e, sobretudo e principalmente, a tremenda, incomparável facilidade em se destacar trechos, fazer anotações e enviá-las, prontas, para um computador, onde poderão ser instantaneamente localizadas em caso de necessidade futura. Aí está, sem dúvida, algo que extrapola muito o hábito: trata-se da possibilidade de reduzir um trabalho monstruoso, quer na organização, quer em futuras pesquisas. Dezenas de minutos efetivamente transformados em segundos. Não aderir à novidade, portanto, é algo pouco inteligente. Assim que não há como não prever um futuro no máximo incerto para os livros de papel. E então?