Tirania sem fim

Buscar sentido através de fenômenos externos é mecanismo que, apesar de comum, jamais levará o ser à independência. Atrelar-lhe o valor a juízos incontroláveis, quando não simplesmente injustos, é nivelar-se por baixo e evidenciar carência de autonomia. Pior é ver que a aceitação, quando efetivada, não faz senão apontar os tipos de rebanho — maioria absoluta — que, apesar de não perceberem, jamais deixarão a condição de vassalos, porquanto enxergar o meio como soberano é submeter-se a uma tirania sem fim.

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A consciência manifesta-se travando conflito

Uma análise psicológica apurada evidencia que a consciência manifesta-se travando conflito. Em outras palavras: a consciência não é senão uma reação, uma manifestação contrária a impulsos psicológicos naturais. Deixá-la falar, pois, é rebelar-se contra o próprio gênio, dando azo a uma guerra talvez desnecessária, porquanto se vive naturalmente sem que toda ação envolva esse desagradável conflito interior. Disse desnecessária; pois bem: são destas que se extrai qualquer honra possível.

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A personalidade é demarcada por escolhas

A personalidade é demarcada por escolhas. E, naturalmente, a falta de personalidade é a incapacidade de escolher. Admito aconchegante ter o meio como arquiteto da realidade: isso é não menos que eximir-se de qualquer responsabilidade. Contudo, é assumir-se submisso, evidenciar uma compreensão míope e limitadíssima da existência. Raskólnikov não é o corolário de um meio injusto e opressivo, mas o retrato de uma ação consciente e suas consequências. Faz bem lembrar de Viktor Frankl: o ser humano é a reação às circunstâncias; o ato final veda qualquer resposta, mas o restante da peça cederá sempre espaço à ação.

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O determinismo é medíocre e covarde

O determinismo é, antes de tudo, medíocre e covarde. Ainda que seja, em alguma medida, ironizada severamente pelo fado, uma compreensão da realidade que ceda espaço ao livre-arbítrio é infinitamente superior a resumir o ser humano num fantoche. Se o mérito acaba inexoravelmente em derrota e, muitas e muitas vezes, vacila ou é tombado em seu próprio campo de ação, não quer dizer que não entregue dignidade ao ser que se escusa de justificativas que não fazem senão evidenciar a própria impotência. Compreender o mundo como imune à ação humana e a ação humana como um fenômeno incontrolável é resumir o ser humano num cachorro — o que pode até ser verdade, desde que não tomada como universal.

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