Há na mente uma antena cujo funcionamento há de ser estudado, e da qual frequentemente derivam as melhores deliberações. É difícil compreendê-la porque, às vezes, as circunstâncias não bastam para lhe justificar a atuação. O caso corriqueiro é aquele em que estas permanecem as mesmas por um tempo prolongado, não raro por anos, e a antena permanece silente, sem captar ou emitir qualquer sinal. Então, subitamente, ela desperta, captando de uma só vez conexões infinitas, recomendando a ação imediata, urgente, antes mesmo que se defina aquilo que se há de fazer. Dá-se em seguida o fervedouro de ideias, e sobrepõe-se à tentativa de organizá-las a sensação de que muito tempo se perdeu. A agitação chega a doer; se é noite, não se pode dormir. Enfim, após algum punhado de horas eletrizantes, o pensamento se ordena e permite a deliberação. Que satisfação vem depois!
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Algumas memórias, quando lançam luz…
Algumas memórias, quando lançam luz sobre aspectos do passado que passaram quase despercebidos, dão o que pensar. Parece incrível que elas evoquem sentimentos que não foram experimentados quando as circunstâncias em questão foram efetivamente vividas ou, ao menos, não se lhes atentou para o devido valor. Agora, é deixar-se mover pela saudade. Assim que parece, quando se afunda nestas lembranças, que o conjunto das situações vividas em determinado momento, ainda que aparentemente infelizes, ainda que marquem por algum aspecto desagradável, guardam, também, outro deveras especial. E é este enfim que talvez não se tenha sabido aproveitar, e que agora não se pode fazê-lo, porquanto o momento passou.
É um mistério haver acontecimentos importantes…
É um mistério haver acontecimentos importantes facilmente esquecidos, enquanto outros banalíssimos amplificam-se pela constante repetição mental. A memória, se interrogada, não se conseguiria explicar. O resultado frequentemente confunde, e mesmo o escrutínio não vence a tendência daquela de arbitrariamente selecionar o que fica e o que se vai. Um homem, no mínimo, tem de ser senhor de sua vida pregressa; mas parece flagrante que, sem esforçar-se para domar a memória, não o será.
É mesmo uma maravilha ler as observações…
É mesmo uma maravilha ler as observações de Szondi enquanto se tem um conhecimento dos próprios antepassados que se limita a duas gerações! Parece não haver maneira mais efetiva de produzir o retrato da desorientação. Em Szondi, os antepassados parecem sempre à espreita, buscando meios de manifestar suas tendências íntimas na vida de seus descendentes; conhecê-los, pois, é fundamental. E ver que, via de regra, os rebentos da anticivilização nada sabem sobre eles; vivem como se tivessem sido jogados na terra, lá do alto, por uma cegonha; e passam a vida assim…