Se procederem as didáticas explicações deste curioso Emanuel Swedenborg, não serei aceito no céu. Não serei e adiciono: em hipótese nenhuma. Se não o céu, então… Mas reflito: necessariamente tenho de ser aceito nalgum lugar? Sou forçado a ansiar por aceitação? Estou, desde o princípio, condenado a suplicar que me aceitem? Se é assim, está excluída a possibilidade da rejeição plena: alguém terá de me aceitar — e eu, naturalmente, também terei de aceitar quem me aceite: todos privados da volição, condenados a juntarem-se à força num grupo. Desalentador…
Tag: religião
O budismo é uma religião para sábios
O budismo é uma religião para sábios, e é exatamente por isso que não pode ser seguida — sequer compreendida — pela massa: não foi moldada para ela. Para tornar-se budista é necessário, primeiramente, pensar, em seguida ser capaz de escolher, tomar um caminho por iniciativa pessoal.. As virtudes de um budista são absolutamente intragáveis para o ser humano comum, que não somente as não compreende como as despreza em sua mais íntima essência. Despegar-se dos prazeres e laços mundanos, arrancar o desejo pela raiz, refugiar-se no silêncio, expurgar a mente, anular o instinto gregário… tudo isso é repugnante para criaturas incapazes de pensar e avessas ao esforço individual.
Thomas Carlyle sobre Maomé
O ensaio de Thomas Carlyle sobre Maomé é notável. De início, pela prosa superior: como impressiona acompanhá-lo a manejar a língua inglesa! É uma prosa viva, repleta de imagens expressivas, inteligente e variada sintaticamente. Depois, pela capacidade de Carlyle em ver o que os outros não enxergam, pela coragem de confrontar a corrente, rejeitando a lógica cega e buscando entender o que se encontra por trás e para além das linhas de Maomé. Muito bonito, muito bonito… é um ensaio prazeroso de se ler. De toda forma, creio que ainda prefiro sentar-me à mesa de Voltaire.
A linguagem do Dhammapada
A linguagem do altíssimo Dhammapada é a única em que preceitos éticos deveriam ser expostos em textos que tencionam ser chamados sacros. O Dhammapada não recorre à lamentável via das ordens e ameaças, em que sobejam verbos no imperativo. Não manda, não exige e, conquanto escrito em linguagem simplíssima, é impenetrável aos desacostumados à reflexão. É um texto luminoso e profundo, destinado a criaturas superiores, que lança mão de uma oratória respeitosa, jamais pretendendo angariar servos, adestrar malfeitores, impor-se mediante um imperativo moral. Disponibiliza preceitos, justifica-os pacientemente, e que os siga quem quiser. Em suma, a linguagem do Dhammapada é aquela que um homem educado utiliza quando respeita a inteligência de seu interlocutor.