Um dos problemas em se ler Gilberto Freyre é a impossibilidade de fechar o livro por alguns minutos para degustar uma cachaça acompanhada de um prato genuinamente brasileiro. Ah, cachaça! Só, mesmo, com o incentivo deste grande senhor. E o pior é a lista de pratos, ou melhor, de doces: variadíssima, apetitosa até na forma de palavras, que um brasileiro só com esforço tem a chance de provar. Pela culinária, descobre-se o tamanho do Brasil. Há peixes que provavelmente nunca desceram do norte, temperos exclusivamente nordestinos e, quanto à engenharia dos doces, possivelmente onde a criatividade nacional mais se destaca, é quase tudo marcadamente regional. O positivo disso tudo é que, com Gilberto Freyre, é possível tomar consciência de uma ignorância gastronômica que exigirá, por honra, o deleite da busca por se sanar.
