É difícil dimensionar o quão desastroso…

É difícil dimensionar o quão desastroso foi este último Acordo Ortográfico, e quanto mais se aprofunda nas minúcias destas novas regras, ou melhor, no que deixou de existir na língua após a sua aplicação, mais se lamenta e mais se revolta. A questão deveria se encerrar nas motivações do acordo, e suscitar gargalhadas diante da incompetência e ilegitimidade das “autoridades” que arrogaram a si mesmas o direito de decidir. Contudo, a estupidez vigorou. E, agora, alguém que queira segui-la perdeu a possibilidade de raciocinar dentro da língua, de imbuir-se no espírito da língua, e tem de consultar sempre os ditames das mesmas “autoridades” sobre como se deve escrever. É tudo muito ridículo. Um escritor tem de consultar esse tal de VOLP para saber se hifeniza ou não um substantivo composto, para saber se a mente caótica dos especialistas o considerou substantivo, “expressão com valor de substantivo”, ou alguma locução. A ambiguidade intrincada e ilógica dos critérios resultou em não haver mais critérios, apenas determinações. Diante desta lista infinita de exceções arbitrárias, ao menos, pode se extrair uma lição: numa língua variada e viva como o português, a mera ideia de qualquer acordo deveria constranger.