Intelectualmente, planejar é sempre mais estimulante que agir. Por muitos motivos, em especial pelos horizontes mais amplos, às vezes ilimitados, e pela possibilidade de alterá-los por inteiro sem prejuízos ou complicações. Quer dizer: planos existem como suspensos no ar; nada os puxa, nada os impele, as conexões que estabelecem são como etéreas, maleáveis, até o exato momento em que são colocados em execução. Aqui, a estrutura inteira como que se cristaliza, e se não o faz de maneira definitiva, o faz de maneira que, a partir desse ponto, mudar é romper. Intelectualmente, sem dúvida, planejar é mais estimulante que agir. Mas o ato, tendo o peso da responsabilidade e o risco do erro, sobre-excede-se em emoção.
Categoria: Notas
Quando, há quatro anos…
Quando, há quatro anos, senti estar pronto para escrever, ou melhor, senti que já não era possível protelar o início dos trabalhos, estipulei um prazo e um número de obras que serviriam de preâmbulo para aquilo que eu tencionava fazer. O objetivo era dispersar, por gêneros e estilos, temáticas predefinidas, mais expondo problemas que apresentando soluções. Neste ano, o prazo chega ao fim, e alcanço-o com a certeza de que o que foi feito, quer melhor ou pior que o planejado, está feito e é suficiente. Agora, é força mudar, simultaneamente, o passo e a direção.
Mais um voluminho escrito…
Finalmente, mais um voluminho escrito, pronto para a revisão. Este, parece, o mais penoso entre todos; em prosa, sem dúvida o que saiu mais lentamente, menos espontâneo e mais compelido e, assim, outro rebento desta poderosa obrigação. Muitas coisas vêm à mente agora que, após quatro anos de trabalho ininterrupto, as linhas, embora não excessivamente abundantes, embora em menor quantidade que a planejada, já são alguma coisa. Alguma coisa que representa a concretização de umas boas centenas de horas de trabalho, de esforço concentrado e de luta interior. As palavras não parecem mais flexíveis do que antes; parecem, pelo contrário, mais pesadas, como se o tempo não tivesse senão acentuado a responsabilidade no escolhê-las. O sentimento não é de alívio, nem de satisfação com o trabalho concluído; há, simplesmente, a certeza de que é preciso continuar.
Por si mesmo, o homem não é nada
Por si mesmo, o homem não é nada. Mas nele reside a potencialidade da visualização que, exercida, permite o realizar. O seu valor primário limita-se, portanto, a uma potência. Para efetivá-la, é preciso vontade. E torna-se algo à medida que algo realiza. Enfim, é destinado a converter-se na própria obra.