O Brasil é o país onde intelectuais verdadeiros…

Destacadamente, o Brasil é o país onde intelectuais verdadeiros, quando não invejados, — manifestação rara só possível naqueles que os reconhecem, — são de praxe ridicularizados. A índole do povo repugna o estudo sério. Somando-se a este fato uma infinidade de outras precariedades, temos que as circunstâncias em que vigoraram os grandes intelectuais brasileiros, na melhor das hipóteses, foram-lhes inimigas, ainda que não agressivamente, mas incentivando-os a tomar outra direção. O mais frequente, porém, é um cenário nocivo a um nível inimaginável à maior parte dos pensadores mundiais. E vemos que, no Brasil, por algo que parece mais que uma coincidência, quase todos os grandes intelectuais provieram de berços modestos e, num esforço individual e solitário, triunfaram não só intelectualmente, mas contra a própria realidade. Sem dúvida, tal é digno de grande reconhecimento, e o desprezo que os envolveu antes e frequentemente depois da morte é algo que não faz senão aumentar-lhes o valor.

É sempre perigoso ao artista…

É sempre perigoso ao artista equilibrar a necessidade de abrangência com a necessidade de não se afastar demasiado do essencial. A primeira é necessária por delimitar, queira-se ou não, a dimensão do próprio artista, cuja obra passará por míope ou viciosa caso não possua se não um equilíbrio, uma variedade que a aproxime razoavelmente daquilo em que consiste a vida e o mundo real. Daí que alguns, resolutos a vencer tal problema, acabam por perder-se em obras que menos agregam e mais descaracterizam a identidade do autor. Não há medida segura. O que é certo é que, assim como pode parecer cansativa a insistência em obsessões que não possuímos, desanima quando nos deparamos com obras nas quais não encontramos resquícios de um artista que julgávamos conhecer.

O que mata o homem é o orgulho

O que mata o homem é o orgulho; é ele que turva a visão e tolda o viver. A dignidade humana resume-se a fazer o melhor do possível, mas o possível ao orgulho nunca satisfaz. Dele brota um anelo insaciável e um descontentamento para com aquilo que basta para encher olhos modestos. Assim que representa o desgosto, a castração e o sepultamento do estímulo que, para muitos que jamais esperaram, provou que o possível às vezes é distorcido pela visão.

Quanto mais se compreende da vida…

Quanto mais se compreende da vida, mais se torna necessária a capacidade de aceitar limitações; em suma, mais se torna imprescindível a humildade. Curiosamente, parece a natureza dificultá-la à medida que mais se conhece, quando o conhecer é também necessário para aprimorá-la. Portanto, cultivá-la é agir racionalmente contra a natureza, que parece o maior obstáculo — e aquele cujo superar é mais importante — para o pleno desenvolvimento intelectual.