Uma vez absorvida, a filosofia de Schopenhauer…

Uma vez absorvida, a filosofia de Schopenhauer permanece como uma lâmpada negra da qual a mente não consegue se desviar. Há nela um magnetismo, uma atração sombria que faz questão de sempre atrair atenção para si. E então ela se mostra, sempre sábia, verdadeira e desagradável, como impelindo com argumentos irrefutáveis a conduta preconizada pelo seu criador. Diga-se quanto se quiser de Schopenhauer, mas não se pode negar-lhe a força.

Cinco séculos de genealogia

E vemos, com um misto de gosto e surpresa, Nabokov a descrever detalhadamente cinco séculos de sua genealogia. Cinco séculos! E, de outro lado, aqueles que não sabem sequer o nome de nenhum dos bisavós. É bonito pensar que haja, em ambos os casos, um motivo para tal; e se temos num deles um grande escritor extraindo sentido de sua família, preenchendo-se de um senso de pertencimento saudável e estimulante, noutro dá-se a justificativa prática para uma filosofia particular…

Os versos burlescos de Bocage

Há algo realmente engraçado nos versos burlescos de Bocage que, se lidos em pequenas quantidades, provocam um riso sincero. Porém, a graça resume-se nisto. São versos que não podem ser lidos aos montes sem que causem tédio. Assim é a obscenidade: causa efeito somente enquanto espante; desaparecendo o espanto, não pode senão gerar fastio e aversão.

O moralista é alguém que engole pedras

O moralista é alguém que engole pedras e, não podendo digeri-las, sente-as a rasgá-lo por dentro num percurso doloroso que se converte em gemidos literários. Deles nada se ganha, a não ser a constatação de que ocorreram e novamente ocorrerão. Nada pode o moralista contra as pedras, e parece haver algo em si que o impele a comê-las uma e outra vez.