Embora seja um tema de quinta categoria, a investigação da origem das ideologias políticas que correm na boca das massas ensina um bocado sobre a corrupção moral do homem. A perversidade e o cinismo daqueles que parem ideologias é de espantar o mais calejado dos moralistas. Tarados por controle, especialistas na eficacíssima ciência da mentira, despojaram a política de qualquer moralidade e a transformaram na simples arte da maquinação. Surpreende vê-los, em absoluta desfaçatez, apregoando narrativas falsas a revestir os mais vis interesses e que efetivamente condenam à miséria aqueles aos quais pedem — e conseguem! — apoio. É uma depravação sem limites. Instrutiva, porém, posto ensina o quão baixo o homem pode chegar.
Categoria: Notas
Parece certo que, um dia, o Brasil oficializará…
Parece certo que, um dia, o Brasil oficializará a língua brasileira, visto que o tempo inevitavelmente particulariza a língua falada em diferentes terras, dificultando cada vez mais uma unidade idiomática. Há, nisto, muitas razões plausíveis e muitos erros. O primeiro destes é a suposição de que uma língua deve ter uma “unidade”, isto é, deve ser falada da mesma maneira unanimemente. Chega a ser risível pensar que, oficializada a tal língua brasileira, não será ela suscetível às mesmíssimas variações regionais e aos mesmíssimos processos evolutivos que rigorosamente todos os idiomas falados em larga escala sofreram e sofrerão. É preciso ser muito ignorante para supor que canetadas pautarão a língua falada nas ruas, quando é esta que, em última instância, pauta as gramáticas. Medidas estúpidas como este último acordo ortográfico não fazem senão torná-lo ainda mais evidente. Por outro lado, é compreensível e até natural que um povo anseie por uma expressão autêntica. Mas é preciso muito cuidado para distinguir até que ponto esta autenticidade representa uma evolução necessária, em vez de operar um rompimento brusco com as raízes que a permitiram evoluir.
Eram grandes artistas a comandar os teatros
Quando se olha para trás e se nota que, há não muito tempo, eram grandes artistas a comandar os teatros, definir-lhes a programação e, portanto, determinar as obras com as quais o público entraria em contato, percebe-se que, em algum momento na história, mudou-se a ordem e a grande arte desapareceu dos cartazes. Salvo exceções honrosas, o que houve foi uma inversão completa: antigamente, o diretor do teatro selecionava o que o público veria; agora, é o público que dita o que o diretor tem de apresentar. Assim, os mesmos estabelecimentos antes consagrados à arte tornaram-se casas de entretenimento. É como se o mundo moderno já não visse potencial educativo na arte, concentrando-se em outros interesses. Se algo há de se concluir é que a alta cultura, embora hoje mais acessível, já não bate por acaso na porta de quem a não procurar.
O artista que preocupar-se demasiado…
O artista que preocupar-se demasiado com as conjunturas sociopolíticas de seu tempo logo ver-se-á desperdiçando o intelecto com questões que não pode resolver, ou seja, gastará neurônios inutilmente e acabará frustrado. É claro que é algo pouco inteligente… Se há questões desta estirpe que poderão afetá-lo, o prudente é tão somente conhecê-las, precaver-se caso necessário e, se vierem efetivamente a bater-lhe na porta, adaptar-se como puder. Portanto agir, mas apenas se lhe não houver outra opção. E no mais, não preocupar-se com aquilo que não tem controle, direcionando-lhe o foco para o mais importante e que lhe permite campo de ação.