Dez anos de estudo independente…

Dez anos de estudo independente bem estruturado colocam o estudante acima de qualquer professor universitário brasileiro que não tenha sido, também, um bom estudante independente. Não faz diferença a área de atuação: a academia não forma, sozinha, intelectuais dignos do nome, e não lhes confere a integração necessária do conhecimento especializado no conhecimento geral. As razões para tal podem ser debatidas, não o fato escandaloso de que a especialização o mais das vezes restringe o horizonte intelectual ou, antes, de que os especialistas se mostram míopes para qualquer coisa que extrapole sua restrita área de especialização. É curioso porque, em tese, não há erro estrutural aparente: a especialização só é possível após a graduação. Mas esta parece insuficiente, se não perniciosa, e não produz graduados prontos para se especializar.

Para aqueles de temperamento semelhante…

Para aqueles de temperamento semelhante, os dias passados como Bernardo Soares são tão satisfatórios que é impossível não ansiar por dias sempre assim. Do anseio, contudo, brota a semente do desgosto, uma vez que não é possível tê-los sempre. Às vezes, nem sequer é possível tê-los. E quando se permite o prolongamento da falta, a mente, recordando da sensação indescritível da placidez fecunda, criadora, imaginativa, lamenta a impossibilidade de produzi-la quando quer. É preciso agir. Mas seja eternamente bendito o senhor Bernardo por nos ter ensinado uma rota segura para a satisfação!

Há desafortunados que chegam à vida adulta…

Há desafortunados que chegam à vida adulta desprovidos da experiência da lealdade, a qual, se refletirmos bem, não costuma ser comum. Contudo, aquele que teve a sorte de viver as circunstâncias necessárias para assimilá-la, tem de dar um passo adiante. Por mais que a valorize, por mais que através dela tenha incorporado lições importantes, é preciso que perceba sua insuficiência para sustentar uma relação. Excelente, sim; mas não mais do que pré-requisito. É voltar, pois, a São Tomás de Aquino, fortificado da experiência para lhe dar maior razão.

Ensinar é, decerto, uma atividade muito prazerosa…

Ensinar é, decerto, uma atividade muito prazerosa, às vezes mais do que o próprio aprender. Contudo, é fácil torná-la frustrante: basta que o professor crie expectativas, ou melhor, basta que tente forçar o aprendizado. Leva um tempo para entendê-lo, e só então se pode desenvolver a resposta devida, que se resume a uma disposição sempre aberta, sempre bem-intencionada, mas que espera pelo sinal positivo antes de agir. Pacientemente, aguarda que o interesse se manifeste e, sabendo que tanto este como o resultado de seu ensinamento estão além do que controla, pode enfim desfrutar a experiência de ajudar.