Brincando de psicólogo…

Divirto-me analisando a mim mesmo sob a ótica de Jung. Adotando a terminologia já amplamente difundida de Myers-Briggs sou, desde que me lembro, um inconfundível INTJ (com I e J que só fazem aumentar). Tento visualizar-me como o faria Jung, então me insiro no meio circundante: impossível não concluir que queimo vivo numa fogueira! Mas como, ainda, não houve a reação violenta que se poderia esperar de alguém como eu? Talvez tenha havido, e disso é evidência a crescente radicalização de meu comportamento. Um tipo independente, solitário, com necessidade de planejamento, ação e controle não pode reagir tranquilamente se bombardeado o tempo inteiro com o imprevisível, atirado numa situação cada vez mais submissa, instável e invasiva, privado da estabilidade e solidão. Decidir, sempre, mesmo que erroneamente, mas colhendo os frutos do ato individual — o contrário é insuportável! Imagino-me ajeitando os óculos de Jung: “Rapaz, assim não… É hora. Faça algo imediatamente…”

A acuidade de Carl Jung

É incrível notar a acuidade de algumas observações de Jung quando aplicadas à conduta geral e os seus reflexos naturais numa sociedade. Quando percebemos que há uma busca por validação externa operando incessantemente e englobando mesmo os atos estritamente individuais, entendemos porque há um grau tão elevado de submissão ao meio — este, tido em massa como o árbitro soberano. Disso à exigência pública de uma conduta contra a própria vontade, — ainda que dissimulada, — sob pena de cadeia ou linchamento, não vai um palito. E os reflexos? Quão previsíveis! O homem social é amputado de personalidade; é uma marionete do comportamento coletivo. Basta que um imbecil suba a um palanque, convença uma claque, e então a massa infinita de ovelhas, por medo e necessidade, estará a abraçá-lo.

Detalhes, em arte, são válidos desde que tonificantes

Detalhes, em arte, são válidos desde que tonificantes de uma impressão imediata. Quando se limitam a esconder “tesouros secretos” são, se muito, inúteis. Sutileza e esmero numa composição de primeira impressão inócua configuram desperdício. A arte de não dizer tudo arrisca-se ao ridículo de não dizer nada; basta olharmos ao cinema…