Falta de maturidade e discernimento

Em nossos dias há um narcisismo e uma preocupação excessiva com o sucesso que são um claro sinal de falta de maturidade e discernimento. Ninguém mais se aceita medíocre. Ou vê-se acima do que é, ou vê-se melhor em um futuro próximo. É claro que isso só pode desembocar em depressão. Fico a pensar quão mais leve calha a vida a quem diz ao espelho: “És medíocre! Tua existência não faz a menor diferença ao mundo! Em cem anos, ninguém lembrará de ti!”.

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A vida como ela é…, de Nelson Rodrigues

Ameaço bater na tecla e, antes que bata, uma esposa trai seu marido. Meu dedo toca o teclado e outra consorte replica a ação. Não fecho a primeira linha e milhares de esposas — ou seriam milhões? — traem seus maridos, impreterivelmente, em diversos países e diversos idiomas. Dois mil contos Nelson escreveu em série, dia após dia, durante dez anos, em redor do mesmo tema: o adultério. Então é justa a pergunta: não teria ele exagerado? Não poderia ele, talvez, ter escrito um pouco menos? De casa, escuto o estalar do cinto no vizinho. Não; Nelson, indubitavelmente, acertou em medida.

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Sobre leitura dinâmica

I- Não se consegue, definitivamente, muito mais que saber o assunto de um livro ao executar as técnicas que se convencionou chamar de “leitura dinâmica”. Diria que este tipo de leitura é exatamente o que Mortimer Adler chamou, em How to read a book,  de “leitura inspecional” — a primeira de três leituras que devem ser feitas em um livro.

II- Livros devem ser lidos vagarosamente, com calma, enquanto se anota observações e destaca-se trechos. Um bom livro só se entrega com esforço.

III- Vale a recomendação de Rodrigo Gurgel: nunca se deve avançar no livro se algo não foi compreendido. Deve-se voltar e reler quantas vezes forem necessárias.

IV- A “leitura dinâmica”, entretanto, pode ser usada a decidir se um livro merece ou não a leitura.

V- Releio os tópicos acima e percebo: nada há de novidade; tudo já foi dito e repetido exaustivas vezes por bons leitores. Por que, pois, ainda se fala em “leitura dinâmica”?

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